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Entrevista exclusiva da Roma Brasil com a nossa camisa 7: Andressa Alves

Gostaria de agradecer a Andressa Alves e a Sow Sports pela disponibilidade e pelo tratamento que nos deram desde o pedido até a realização da entrevista. Gostaria de agradecer também a Isabela Almeida que, junto comigo, foi quem elaborou as perguntas e viveu a ansiedade e a alegria de entrevistar uma jogadora como a Andressa. Agradeço também, a Giselle Andreolla, que fez o meio campo entre mim e a Sow Sports.

As perguntas foram enviadas por e-mail para a assessoria da Andressa, que enviou as respostas via WhatsApp. Todas as respostas foram transcritas de áudios.

1- Você chegou na Itália já fazendo história! Como é para você ser a primeira brasileira a jogar pela equipe feminina da Roma?
Andressa - Para mim, ser a primeira brasileira a jogar na Roma, é uma satisfação muito grande e fico feliz pelo convite e espero retribuir em campo ajudando a Roma a ser cada vez maior.

2- Como você enxerga o projeto da Roma para a equipe feminina e como você vê o seu papel nesse projeto? Dá pra sonhar com o scudetto ainda nessa temporada?
Andressa -  Eu vejo o projeto da Roma para daqui cinco anos ser uma das equipes imbatíveis na Itália. Vem crescendo, o futebol feminino aqui na Itália vem crescendo, esse ano já contratou jogadoras de fora, então, isso ajuda muito na equipe e claro que a gente sabe que a Juventus é a favorita a ganhar, então, a gente tem que ter os pés no chão e pouco a pouco vamos ver o que vai acontecer até o final do campeonato.

3- Você tem seis jogos e três gols, uma média de um gol a cada dois jogos. Com mais gols que você, na Roma, só a Thomas e a Serturini. Se você manter essa média até fim do campeonato essa pode ser uma das suas temporadas mais goleadoras. Como vê essa segunda metade de campeonato para você?
Andressa - Eu fico feliz de poder ajudar marcando gol, dando assistência, acho que isso é muito importante. Eu sei do meu papel dentro do time, então, eu fico feliz. E essa segunda volta do campeonato vai ser muito importante para a gente, temos que conseguir vencer os jogos importantes, os confrontos diretos, então, temos que trabalhar para que as coisas possam sair da melhor maneira possível.

4- Em qual dos esquemas táticos utilizados pela Roma nessa primeira metade de campeonato você se sente mais a vontade?
Andressa – Ah, eu me sinto mais à vontade jogando no 4-3-3, eu acho que é um esquema que dá muito certo para a gente, nós tem jogadoras muito técnicas no meio campo, então, eu acho que é o melhor esquema para a gente.

5- Você disse em algumas entrevistas que o Barcelona dava para as suas atletas a mesma condição de trabalho que dava aos seus atletas. Isso também acontece na Roma?
Andressa - Sim, a gente treinava no mesmo Centro de Treinamento que o masculino, questões de treino não faltava nada, claro que nada se compara ao que o masculino tem, é outra realidade, então, eu acho que ainda vai demorar um pouco para isso acontecer, se igualar, e sim, a Roma dá total estrutura para a gente poder trabalhar bem, desenvolver bem o nosso futebol e isso é importante. A gente espera que a cada ano isso aumente, melhore, a gente precisa de condições excelentes para poder desenvolver um grande futebol e aqui na Roma a gente consegue desenvolver um grande futebol porque tem isso.

6- Desde 2015 na Europa, você já jogou na França (Montpellier), Espanha (Barcelona) e agora está na Itália defendendo as cores da Roma. Quais são as principais diferenças entre essas três ligas?
Andressa - Sim, já joguei no Montpellier, no Barcelona e agora na Roma. Na França eu acho que o futebol é mais físico, mais contato, um futebol mais forte. Na Espanha é um futebol de mais toque, mais dinâmico, como é aqui na Itália, de muito toque de bola, claro que aqui na Itália eu ainda acho que é um pouco mais físico do que na Espanha, então, acho que as diferenças são essas.

7- Você teve uma passagem muito boa em Barcelona, em um time tão competitivo que chegou a final da Liga dos Campeões. Com você jogava uma das melhores jogadores do mundo na atualidade que é a Lieke Mertens. Como era jogar e conviver com a holandesa?
Andressa - Sim, o nosso time era um time muito bom, tive a oportunidade de jogar com a Lieke, é uma excelente jogadora, uma excelente pessoa, então, eu pude desfrutar disso, de poder jogar com ela no ataque e agora eu só desejo que ela continue conquistando grandes coisas.

8- A seleção está agora nas mãos de ninguém menos que Pia Sundhage! Conta para a gente quais as suas expectativas em relação ao trabalho que Pia vem fazendo rumo a Tóquio.
Andressa - Ah, o nome da Pia já é grande por si só, né? Ela veio para mudar a cara da seleção, acho que ela tá conseguindo fazer isso e a gente espera poder entender o trabalho dela e fazer o que ela quer para que possamos sair vencedoras.

9- Recentemente os clubes brasileiros se viram obrigados a criar e desenvolver equipes femininas, e este fato dividiu opiniões. O que você acha dessa obrigatoriedade? E como isso funciona na Itália?
Andressa - É, infelizmente a gente sabe que no Brasil é um pouco mais complicado ter o futebol feminino, então, se não tivesse essa obrigação de um time grande ter o futebol feminino eu acho que dificilmente isso iria acontecer. Essa é a realidade, então, de um jeito ou de outro, a gente fica feliz, não é da maneira que a gente queria, (a gente) queria que fosse uma coisa normal, sem ser obrigatório, mas nós sabe que não funciona assim as coisas no Brasil. Aqui na Itália não, não existe isso de ter obrigatoriedade, aqui os clubes se formam porque querem.

10- No ano passado, você fez parte de uma peça promocional incrível com a Nike para a Copa do Mundo, "Nada contra as bonecas. Era só que eu preferia a bola". O cenário para as meninas que querem ingressar profissionalmente no futebol vem mudando em todos os aspectos, como você vê essa evolução? O que ainda falta?
Andressa - Sim, fiquei muito feliz porque a campanha que a Nike fez foi a história da minha vida, então, foi uma campanha que muitas meninas se identificaram e acho que foi uma das melhores campanhas dos últimos anos. Fico feliz de ter chegado em tantas pessoas. A gente sabe que o futebol feminino vem mudando no Brasil, falta muita coisa ainda, mas a gente sente que tá mudando no Brasil, no mundo. Aqui na Europa já tá tendo uma mudança muito grande e agora tem os Jogos Olímpicos, que pode ser outra grande mudança no cenário do futebol feminino.

Por Samuel Novaes - @SamuelNovaes0