Texto por Colaborador: A. Rother 11/04/2026 - 05:00

Já não é novidade que o relacionamento entre Gian Piero Gasperini e o duo Claudio Ranieri-Frederico Massara está longe de ser harmonioso. O que muda, semana após semana, é a intensidade do atrito — e os sinais de que a convivência está chegando ao fim.

O estopim foi o mercado de verão, que não agradou ao treinador e que ele fez questão de criticar publicamente em diversas ocasiões. Em janeiro, o clima esquentou ainda mais: houve um embate direto entre Gasperini e o diretor esportivo após a derrota em Bergamo, motivado pelo fracasso na tentativa de fechar com o Atlético de Madrid a contratação de Raspadori — jogador que acabou reforçando justamente a Atalanta.

A mais recente provocação virou manchete nesta semana, quando o treinador disparou em coletiva de imprensa:

"Me parece que a Roma, vi no Transfermarkt, então é algo simples, nos últimos dois anos recebeu 30 jogadores. Dos quais, talvez 4 ou 5 estão jogando agora, talvez menos. Se você me perguntar, e acho que não estou culpando ninguém, mas é uma ideia minha, talvez haja necessidade de alvos talvez menos disso e talvez mais daquilo. Até porque Roma viu jogadores e equipes importantes, então o torcedor conhece os bons, os viu. Talvez eu seja mais favorável a esse tipo de ideia do que contratar 30 jogadores, mas essa é uma ideia minha. Pode ser que não seja consenso, não é problema."

E é difícil dar razão contrária a Gasperini. Dessa extensa lista de contratações, apenas seis se firmaram como titulares de fato: Malen, Wesley, Koné, Soulé e Hermoso. Os erros existem — e não são poucos.

Ranieri, porém, saiu em defesa do trabalho de Massara — escolhido por ele próprio para assumir o lugar de Ghisolfi: "Fácil falar de Wesley e Malen. Todos os jogadores que chegaram foram avaliados em conjunto com o treinador. Tínhamos escolhido também Ferguson e perdemos tempo atrás de Sancho, que depois não quis vir. Alguns jogadores não agradavam ao treinador e não os contratamos." O desgaste é claro. Falta pouco mais de um mês para o encerramento do campeonato, e os Friedkin já precisam pensar no que vem a seguir. A expectativa é que Ryan Friedkin retorne a Roma em maio — Dan pode aparecer também, mas com menos certeza —, e o cenário mais provável é que Gasperini, Ranieri e Massara não coexistam no clube na próxima temporada.

Para coroar o clima pesado, Ranieri ainda diminuiu publicamente a posição de Gasperini ao lembrar como se deu a escolha pelo treinador: "Eu escolhi 5 ou 6 treinadores, três não quiseram vir. A sociedade escolheu Gasperini." É verdade que outros nomes estavam na lista — Pioli, Fabregas e Sarri chegaram a ser considerados. Mas as palavras de Ranieri na apresentação do técnico foram bem diferentes: "Entre tantos nomes, fiz o dele porque estou convicto de que a Roma precisa de uma personalidade forte, de um treinador que nunca se contenta, que está sempre ligado, que está sempre irritado, que nunca está satisfeito com nada, que quer melhorar, que quer melhorar a equipe, que quer melhorar o indivíduo."

 Hoje, o mesmo perfil que antes era elogiado parece ter se tornado um inconveniente. Ranieri já sinalizou que pode deixar o cargo: "Estou pronto para ir embora." A bola agora está com os Friedkin — e a decisão não pode esperar muito mais.

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