Texto por Colaborador: Rother 09/03/2026 - 04:00

Aos 70 anos recém-completados, Zbigniew Boniek recebeu as felicitações com a leveza de quem tem muito a celebrar. "É uma bela satisfação ter chegado a esses primeiros 70 anos. Agora vamos ver se os próximos 70 vão ser tão bons quanto os anteriores", disse o ex-meia polonês, em entrevista ao programa Ad Amore Giallorosso. Entre memórias, análises do futebol atual e opiniões contundentes sobre o presente da Roma, "Zibi" não deixou nenhum tema de lado.

Ao ser lembrado da beleza do futebol dos anos 1980 — período em que foi um dos protagonistas —, Boniek traçou um panorama sobre o que mudou. Para ele, a sociedade como um todo era diferente, e isso se refletia no esporte. "Se vivía com mais tranquilidade, havia sempre tempo para aproveitar as coisas. O futebol era diferente. Nos nossos tempos, entre o líbero e o centroavante havia 50 metros de espaço — você podia jogar pelo meio, fazer um contra um, pegar a bola e galopar 20 metros. Hoje isso é quase impossível. Todas as partidas se parecem: muita retenção de bola pelos defensores, algumas trocas de passes e chutes a gol são raridades", analisou. No plano físico, a mudança também é evidente: "Nós éramos mais oitocentistas, prontos para correr 1.000 ou 1.500 metros. Hoje são todos mais malhados, parecem gladiadores, mas basta um toque e já caem no chão fingindo que estão mortos. Isso me incomoda um pouco, é um aspecto feio do futebol atual — mas na vida não se pode viver só de recordações, e no fundo me divirto assistindo ao futebol de hoje também."

Perguntado sobre qual papel lhe deu mais satisfação ao longo da carreira, Boniek não teve dúvidas. "Sem dúvida, a vida mais bonita foi a de jogador. Você está sempre nas primeiras páginas, é jovem, se sente invencível, pensa de um jeito diferente e tem a possibilidade de fazer coisas bonitas todo domingo. Depois, como dirigente, como treinador — fui durante nove anos presidente da federação polonesa de futebol —, você trabalha para os outros, tem funções completamente diferentes, precisa ficar na sombra e colocar os outros na primeira página."

A passagem pela Roma, após os anos na Juventus, ficou marcada de forma especial. Boniek contou que, antes de se transferir para Turim, havia dado sua palavra a Viola de que, ao fim do contrato, iria para a Roma. "Quando passei para a Roma, o advogado continuava me convidando para a casa dele — ele morava perto do Quirinale — porque gostava de conversar comigo sobre futebol. Porém, a Roma tem um afeto que permanece e que faz a diferença. Para mim, a temporada 1985-86 foi a mais forte equipe de clubes da minha vida. Pena que demoramos muito no início, tanto nós quanto o Eriksson, para entender como jogar. No meio-campo éramos extraordinários: tinha Cerezo, Carlo Ancelotti, eu, Bruno Conti, Giannini e Di, e jogávamos um belo futebol." A derrota por 2 a 3 em casa contra o Lecce ainda deixa um gosto amargo. "Ainda queima", admitiu.

Sobre Pisilli, Boniek foi efusivo. "Você me fez uma pergunta muito difícil porque ele é o meu jogador favorito. Gosto dos meias que não apenas travam a jogada, mas a desenvolvem, chegam na segunda bola e sabem fazer gol. Se jogar todas as partidas, o Pisilli pode marcar de 6 a 10 gols por campeonato. Ele é jovem, tem uma boa perna, é bom na antecipação — gosto muito dele. Dizem que se Koné jogar não há espaço para ele, mas quando você começa a pensar em quem pode dar mais para a equipe, as dúvidas aparecem. O Gasperini foi inteligente e está encontrando espaço para os dois: na última partida jogaram juntos e foi muito bem. Lembro também de um gol dele na Europa, saindo do banco, e talvez tenha sido aquele o momento em que o mister percebeu que podia contar com ele não só como reserva, mas também como titular."

Ao ser questionado sobre uma possível ida para a diretoria da Roma, Boniek revelou que nunca recebeu uma proposta formal — à exceção de um convite de Rossella Sensi, que veio em um momento em que o clube estava prestes a ser vendido. "Eu disse que lamentava, mas sou alguém que gosta de criar, não queria entrar para encerrar uma atividade. Hoje vejo na Itália que há uma resistência em colocar ex-jogadores dentro das sociedades. São pouquíssimos os que são integrados. Talvez tenham medo de personagens que possam fazer sombra. E é claro que é preciso estar preparado para ser dirigente, porque uma coisa é jogar bola e outra é sentar atrás de uma mesa e trabalhar para desenvolver um projeto."

O tema mais aguardado da conversa foi o retorno de Francesco Totti à Roma. Para Boniek, não há discussão: "A Roma vai completar cem anos e ele, que é o jogador mais importante da história do clube, precisa necessariamente entrar e ser acolhido pela sociedade. Poderia ser simplesmente embaixador ou acompanhador — poderia fazer qualquer coisa —, mas um jogador tão grande, que renunciou à própria carreira para ficar aqui com a Roma, tem que estar presente." E completou: "Como se pode pensar em fazer um centenário sem Francesco Totti?"

Sobre Maradona e a comparação histórica com Totti, Boniek foi equilibrado mas firme. "Para mim, Maradona é o jogador mais forte de todos os tempos, sem ressalvas. Ele jogava em uma época em que se podia bater, em que as marcações individuais eram duras, em que as entradas eram realmente pesadas. Certas faltas que sofremos nós não existem mais hoje."

Para encerrar, Boniek relembrou com um sorriso a noite em que ele e Bruno Conti, de um lado, e Michel Platini, do outro, apareceram no programa de Pippo Baudo antes de um Roma-Juventus. Platini provocou dizendo que os via tensos. A resposta de Boniek ficou famosa: "Nós podemos ficar até meia-noite porque amanhã é fácil." No dia seguinte, a Roma venceu por 3 a 0.

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