Texto por Colaborador: A. Rother 24/07/2026 - 17:10

De Mourinho a Gasperini, passando por Ghisolfi, Massara e D'Amico: muda tudo na Roma, menos a lentidão da diretoria no mercado da bola. Férias prolongadas, videochamadas, esperas por desembarques, aviões enviados e depois cancelados: é como aguardar Godot — ou, neste caso, Dan, ou melhor ainda, Ryan. Em Trigoria, mudou praticamente tudo: técnicos, dirigentes, consultores, jogadores. Todos eles trabalharam sob condições difíceis e não deixaram de reclamar disso, de forma oficial ou nos bastidores. A constante segue sendo sempre a mesma: a distância da família Friedkin e a demora eterna para fechar qualquer tipo de negociação.

Assim, a exatamente um mês da estreia contra a Fiorentina, a Roma se vê novamente com buracos no elenco e muita confusão. Isso já havia acontecido na era Mourinho, com os casos de Xhaka, McTominay e Marcos Leonardo. Depois, com Ghisolfi e De Rossi no comando, o clube conseguiu, ainda que no último segundo da janela, fechar com Konè e Saelemaekers — este último, inclusive, por empréstimo, justamente por causa do atraso. O roteiro se repetiu com Massara, período marcado por negócios que não avançaram, de Rios a Sancho, entre tantos outros exemplos que a lista poderia incluir. E agora, com Gasperini e D'Amico, o clube já teria trazido Greenwood para Roma, não fosse a demora bíblica de uma família que vive pouco na capital italiana e que, mesmo depois de tantos anos, parece não ter entendido que o mercado exige decisões rápidas, negociações relâmpago e disputa contra o relógio.

Maldito seja o tempo perdido, que permitiu ao Fenerbahçe ultrapassar a Roma na disputa por Greenwood e ao Al-Hilal se meter de última hora na negociação por Summerville. E quando entram em jogo certas cifras, é inútil competir, ao menos dentro da realidade italiana. Por isso, é preciso otimizar as escolhas. Dois alvos escaparam, ambos entre os preferidos de Gasperini, que ao lado de D'Amico já havia deixado tudo encaminhado, faltando apenas uma coisa: a liberação do investimento por parte da diretoria. Um roteiro que se repete e que certamente provocará uma reação — ainda que tardia. Afinal, em um mês o Campeonato Italiano começa, e os pontos conquistados nas primeiras rodadas valem tanto quanto os obtidos em março ou maio.

À Roma não falta apenas um camisa 11 (Nusa segue como a nova novela do momento). Também estão em aberto as contratações de dois laterais, um reserva para Malen e mais um ponta pelo lado direito. Fica o gosto amargo de um "eu queria, mas não posso" que se repete continuamente. Antes, a justificativa era o acordo de ajuste financeiro com a Uefa; depois, o teto salarial; e agora, a concorrência cada vez mais forte dos clubes do extremo-oriente. Ou seja, sempre existe um álibi à disposição. Mas, no ano do centenário do clube e do retorno à Champions League, a torcida esperava que esses problemas já tivessem ficado no passado. Resta saber se essa esperança fará sentido desta vez.