Texto por Colaborador: Redação 03/04/2025 - 03:00

Campeão italiano com a Roma na temporada 2000/01, Vincent Candela deixou sua marca no clube onde atuou por oito anos. O ex-lateral francês conversou com os canais oficiais do clube e abordou diversos temas relacionados à equipe comandada por Claudio Ranieri.

Quando questionado sobre sua presença constante no estádio após pendurar as chuteiras, Candela explicou: "Não sei dizer, é tudo natural. São quase trinta anos vivendo em Roma, minhas três filhas nasceram em Trastevere, minha esposa é romana... é tudo natural. Me sinto bem aqui, sempre tive uma boa relação com as pessoas desde o primeiro dia, me sinto em casa e graças a eles fiz meu percurso. Ainda hoje é normal para mim torcer pela Roma."

Sobre parecer que nunca deixou o clube, o francês comentou: "Porque sou instintivo, me irrito com um cruzamento errado, me levanto e me pedem para sentar porque estou sempre de pé, sou assim. Fiz todas as coisas com paixão, às vezes errei, mas fiz com o coração, é natural para mim."

Ao ser indagado se já pensou em ser treinador, respondeu: "Isso é um trabalho de verdade, uma coisa é ser jogador, isso não é um trabalho, mas um prazer. O treinador tem muitas responsabilidades, às vezes pensei nisso, mas também como quarto, quinto ou oitavo (risos), com o grupo e com os jogadores tenho grande empatia e me dei bem com todos com quem joguei e não joguei. Nunca diga nunca."

Sobre Ranieri, Candela elogiou: "Fazer sair 200% de cada jogador é a coisa mais difícil, o técnico Ranieri em termos de experiência tem poucos que o superam, não só pela idade, mas por todos os times que treinou. Está trazendo normalidade, a Roma tem jogadores para estar na parte alta da tabela, está fazendo um trabalho perfeito até agora."

Quando comentaram que talvez a percepção anterior sobre o elenco da Roma estivesse equivocada, o ex-lateral concordou: "É um elenco competitivo, tem jogadores, tem campeões, tem experiência, tem campeões do mundo, não é pouco."

Sobre sua amizade com Francesco Totti, Candela destacou: "Todas as batalhas travadas em campo e nos treinos, por dez anos jogamos juntos, depois eu parei e ele continuou, e por dez anos não nos vimos mais. A estima e a relação que tenho e tive com ele é porque ele confia em mim, é uma bela relação de amizade que vai além de trinta anos e isso me agrada."

Quanto à sua inclusão no Hall da Fama, comentou: "É sempre importante, eu vivo de emoções e quando a Roma te chama para fazer parte do Hall da Fama... você faz parte de um time que não são apenas onze jogadores, mas vinte e dois com o clube e os torcedores, sempre pensei assim. Quando você faz parte da Roma e entra no Hall da Fama, é gratificante, uma bela satisfação."

Sobre Angeliño, Candela analisou: "Assim que o vi, notei que ele é alguém que assume riscos e gosto disso, não é banal e corre até mais que eu, nunca para, corre rápido e verticaliza muito, está começando a fazer gols também. É um jogador importante, depois na lateral quando se joga com cinco, vai para frente e para trás, não é fácil hoje que fisicamente todos são muito fortes, é um jogador de quem gosto muito."

Quando mencionaram que Angeliño está sendo comparado a Dimarco, observou: "Dimarco é bom, Theo é um fenômeno, mas o nível de Angeliño está se aproximando ao deles."

Ao ser mostrado fotos com Cafu e Maicon, comentou: "Pendolino, uma pessoa que sempre ri, foi campeão do mundo, mas também teve dores na vida. É sempre positivo, um grande campeão e um grande homem. Com Maicon não joguei junto, apenas algumas amistosas, estamos falando de dois dos laterais direitos mais fortes da história."

Sobre Zeman, que passa por um momento difícil, Candela desabafou: "Nunca discuti tanto com um treinador quanto com ele, eu era jovem e correr todos os dias, fazer os degraus todos os dias, não estava acostumado com isso. Com o tempo, porém, entendi que se você não trabalha sem a bola, depois não rende, isso me serviu depois com Capello, me fez entender isso também. Cresci dos 5 anos até hoje só com a bola, não entendia por que correr sem ela. Zeman tem sua metodologia, talvez seja errada na fase defensiva, mas foram dois belos anos e hoje ele tem seus problemas e estou ao seu lado. Espero abraçá-lo em breve."

Questionado se ele e Totti sempre eram os últimos nas repetições, brincou: "Tinha o Di Biagio também, não estávamos sozinhos (risos). Eu gosto de correr com a bola, para mim estar em campo sem bola era perder tempo, mas depois entendi que é necessário. No ano do título, fiz com que 11 jogadores do meu time comprassem motos, para mostrar que grupo éramos, dei para Mangone, Rinaldi, Delvecchio, Di Francesco, Lupatelli, Nakata, Montella... O grupo é importante e isso é um exemplo."

Finalizando sobre o que deseja para a Roma, disse: "São 4 anos que o estádio está cheio e espero vencer, não digo o campeonato, mas precisamos de pouco. As pessoas são apaixonadas. Ficaria feliz se a Roma vencesse porque os torcedores estariam felizes. Daqui a pouco é o centenário..."