Texto por Colaborador: A. Rother 29/06/2026 - 02:00

Paulo Roberto Falcão, um dos maiores ídolos da história da Roma, concedeu entrevista à Rai Play em que revisitou passagens marcantes de sua carreira no clube italiano. O "Divino" falou sobre a conquista do Scudetto, a emoção dos torcedores e, claro, sobre aquela fatídica final da Liga dos Campeões de 1984 contra o Liverpool.

O brasileiro começou relembrando a recepção calorosa da torcida após o título italiano: "Lembro que deveríamos ter desembarcado em Fiumicino, mas acabamos desembarcando em Ciampino. Havia tanta gente: foi fantástico. Não ganhávamos o Scudetto há 40 anos; foi um momento único para os torcedores. No fim das contas, eles são a coisa mais importante em um time."

Falcão ainda contou que uma faixa nas arquibancadas lhe causou incômodo — e acabou servindo de motivação: "Uma faixa dizia: 'Roma não é algo sobre o qual se discute, é algo que se ama'. Eu não gostei disso porque significava aceitar qualquer desempenho em campo, enquanto um time como a Roma merecia vencer. Isso me deu o impulso necessário, porque essa Roma precisava construir algo diferente."

Ao relembrar a conquista em si, o ex-meia comparou com outros títulos da carreira: "Após a partida contra o Genoa, os torcedores invadiram o campo; foi algo único. Dava para perceber que a Roma havia conquistado respeito na Itália porque jogara melhor, porque tinha jogadores de grande qualidade. Eu havia conquistado o campeonato alguns anos antes com o Porto Alegre, invicto, um recorde na época. Mas o Scudetto com a Roma foi lindo."

Questionado sobre o apelido que carrega até hoje, Falcão fez questão de dividir os méritos com o grupo: "Talvez minha contribuição tenha sido maior no vestiário do que em campo. Não sou eu quem está dizendo isso, mas já ouvi Bruno Conti e Pruzzo dizerem o mesmo. Eu estava convencido de que podíamos fazer mais, que podíamos vencer na Itália jogando melhor que os outros, mesmo fora de casa." E aproveitou para tocar em um assunto ainda sensível para a torcida: "Não posso me esquecer do gol de Turone: aquele time da Roma poderia ter conquistado dois Scudetti; foi o maior escândalo do futebol italiano."

Sobre a campanha na Liga dos Campeões de 1984, Falcão revelou que enfrentou problemas físicos durante o torneio: "Contra o Dundee, não joguei por causa de um problema no joelho direito após uma falta de um jogador da Inter: estava jogando com injeções. Tínhamos que vencer e vencemos por 3 a 0. Foi um momento importante na história."

A final contra o Liverpool, porém, foi o ponto alto — e mais doloroso — da conversa. "Talvez seja sempre muito fácil falar depois. O Liverpool era um time forte e superior", admitiu o brasileiro, que revelou ter entrado em campo novamente com o joelho anestesiado: "Eu também joguei aquele jogo sob efeito de uma injeção, e ainda teve prorrogação. Infelizmente, a dor voltou, e eu também sofri uma entrada dura. Eu não estava me sentindo bem, mas acho que mesmo assim fizemos um ótimo jogo."

Na disputa de pênaltis, Falcão optou por não bater — e por trás dessa decisão havia muito mais do que as condições físicas. O ex-meia revelou que o técnico Liedholm era supersticioso e havia estabelecido uma espécie de combinação: "Havia mais por trás disso. Eu não deixei de bater só por causa da dor. Alguns dias depois da Juventus ter conquistado o Scudetto graças ao gol de Turone, vencemos o Torino nos pênaltis pela Copa da Itália. Eu bati o quinto. Liedholm, que era supersticioso, me disse que contra o Liverpool eu bateria o quinto, já que eu também era o número 5. Naquele momento, não batemos o quinto pênalti porque eles ganharam o primeiro."

Quando questionado sobre o que teria feito diferente se pudesse voltar àquele momento, Falcão foi direto: "Não, não seria essa a situação, porque não teríamos chegado ao quinto lugar."

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