Reprodução AS Roma TVGian Piero Gasperini não fugiu de nenhum tema após a vitória da Roma sobre o Pisa. Em coletiva de imprensa e nas entrevistas concedidas à Sky Sport e à DAZN, o treinador comentou sobre o mercado de verão, o fenômeno Donyell Malen, a relação com Claudio Ranieri e os objetivos da equipe nas seis rodadas restantes.
Sobre o mercado de verão, Gasperini esclareceu o tom de suas declarações recentes, que foram interpretadas como críticas à diretoria. Segundo ele, não há reclamação sobre os jogadores em si, mas sim uma prioridade que não foi atendida:
"Eu não me queixo dos jogadores. Eu deixei liberdade de escolha nos jogadores que não conhecia, indiquei dois jogadores importantes e chegou um. Para mim era determinante trabalhar nos atacantes, porque perdíamos Shomurodov e eu não esperava perder também Saelemaekers. Para mim era prioritário, o resto estava bem. O ponto fundamental era trabalhar no ataque, nunca houve uma contraposição. E sempre bati na tecla com vocês também sobre a necessidade de trabalhar lá na frente e elevar o nível. Depois, infelizmente, não foi assim, houve dificuldades enormes e esse foi o motivo. Eu com Ranieri nunca tive problemas, nunca nem uma rusga, pelo contrário, compartilhávamos essa necessidade."
Questionado se sabia que três treinadores haviam recusado o cargo antes de ele aceitar, Gasperini disse que não tinha essa informação, mas tratou o assunto com naturalidade: "São coisas normais, as sociedades pensam na lista de seus treinadores. Não sabia, mas está bem, estou feliz com a escolha que fiz." O destaque da noite foi justamente um jogador que Gasperini afirma ter indicado. Mas, ao falar sobre Malen, o treinador foi honesto: a contratação foi mais fruto de circunstâncias do que de planejamento: "Eu sempre indiquei funções nas minhas equipes, esporadicamente jogadores, só quando estava fortemente convicto, se era possível contratá-lo. Em cada clube sempre indiquei os perfis, sobre Malen como sobre algum outro não. Eu não faço scouting nem vou ao exterior ver partidas, às vezes recebo dicas que me ajudam. Esse de Malen foi um golpe de sorte, não fruto de organização da minha parte. A situação se criou e se concretizou em 24 horas. Malen é extraordinário. O problema era entender se conseguia jogar de centroavante, algo que ele desejava e que para mim era o seu papel. Disso sim, estou convicto de ter acertado, mas o mérito é dele, que tem características extraordinárias. Em outras ocasiões foi utilizado mais pela beirada, mas ele tem essa velocidade, a capacidade de controlar a bola. Fizemos um amistoso no verão, ao vivo você tem uma percepção diferente dos jogadores, de quão rápido pode ser, do primeiro toque, de como chuta. Mas eu não imaginava que ele fosse sair do Aston Villa até dois dias antes de contratá-lo."
Nas entrevistas pós-jogo, Gasperini também foi provocado repetidas vezes sobre a relação com Ranieri e os caminhos diferentes que os dois parecem estar trilhando. O treinador desconversou com bom humor: "Mas não estão brincando (risos)! Eu tenho só um trilho, que vai reto. Um monotrilho. Tenho seis partidas para jogar, com esse grupo e essa equipe, começando no sábado com a Atalanta, que é fortíssima, no elenco, como equipe e como mentalidade. Mas nós somos duros, chegamos no pior dos casos um ponto à frente e para mim é um grande resultado. Deixei uma equipe em terceiro na classificação na Champions, que com as vendas de Lookman, Retegui e Ruggeri fez um belo fortalecimento, com as receitas da Champions igualmente, que contratou cinco jogadores para reforçar o elenco. Então deixei uma equipe muito forte. Sabia que quando estava na Atalanta, se passávamos à frente da Roma, tínhamos chances de ir à Champions, e agora é o mesmo."
Pressionado a responder diretamente sobre a relação com o dirigente, Gasperini fechou o assunto: "Não conseguem me pegar, nem com falta. Estou atento à atuação e à partida, estamos a 6 rodadas do fim e é um momento delicado para todos."
Sobre Malen ser incluído entre os jogadores que ele mais valorizou ao longo da carreira, Gasperini comparou o holandês a outras histórias de sucesso que viveu: "Só para as equipes em que jogou, Malen já era um jogador de valor há anos. Quando você vai para essas sociedades tão jovem é porque tem qualidades. O papel foi um fator determinante para convencer Malen a vir para Roma, ele queria jogar naquela função e tinha dificuldade em encontrar equipes que o utilizassem assim. Essa foi certamente uma motivação forte e deu certo para os dois, sobretudo pelo mérito dele. Já me aconteceu na carreira, penso em De Ketelaere. São jogadores fortes, mas eu não invento nada: tento extrair o melhor deles, que depois, com jogadores de nível, vem à tona."
Para encerrar, Gasperini destacou outros nomes que estão agradando dentro do grupo: "Estou também muito feliz com Pisilli e com os outros, com Cristante e Mancini e com muitos outros jogadores que vejo bem. Hermoso, também os menos jovens e não só os mais novos."
Na entrevista à DAZN, o treinador foi questionado sobre se a Roma poderia seguir o caminho que a Atalanta percorreu sob seu comando. Gasperini foi cauteloso, mas positivo: "Estou satisfeito com o impacto que tive com a equipe e os jogadores. Quem joga um pouco menos não pode estar felicíssimo, mas todos jogaram. O impacto com a equipe foi notável e tentamos fechá-lo bem nessas partidas."
Sobre o estado de Lorenzo Pellegrini, que saiu machucado, o técnico lamentou o momento infeliz do meia: "É uma notícia ruim, ele está passando por um bom momento. Hoje à noite também foi azarado na trave, ainda mais com a lesão. Um jogador chutou o pé dele causando-lhe uma elongação na perna. Não parece grave, mas será preciso avaliar nos próximos dias. Espero recuperar Wesley, Koné e Mancini. Pena pela saída de Pellegrini. Sempre existe a interrogação sobre Dybala, mas para sábado não vai ser fácil."
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