Texto por Colaborador: A. Rother 28/04/2026 - 02:00

Difícil contestar a lógica de Gian Piero Gasperini. "Se tenho responsabilidades técnicas, então é justo ter credibilidade e que meus pedidos sejam atendidos." A frase dita pelo treinador após Bologna-Roma não deixa margem para interpretações: ou o clube embarca de vez no projeto, ou o acordo não tem sentido.

O ponto central não é apenas o mercado — é o controle sobre o projeto esportivo. E Gasperini tem sido coerente com essa posição desde o início, mesmo quando a pressão externa apontava para outro caminho. Quando se falava em desmontar o grupo, ele foi na direção oposta: preservar uma base que considera sólida, não por apego sentimental, mas por pragmatismo. "Sem esses jogadores, você pode facilmente terminar em décimo segundo ou décimo terceiro lugar", havia alertado. Uma afirmação direta, sem floreios, mas concretíssima.

Nesse raciocínio entram nomes como Bryan Cristante, Gianluca Mancini e Lorenzo Pellegrini. Paulo Dybala também está nessa lista, embora o caso do argentino inevitavelmente passe por uma avaliação financeira. As ideias precisam dialogar com os números: se as exigências salariais forem incompatíveis, a saída é o caminho; se houver acordo, ele integra a construção do elenco.

Há ainda outro ponto na visão de Gasperini que merece atenção: os titulares de hoje devem se tornar as alternativas de luxo de amanhã. Uma mudança de perspectiva que busca elevar o nível geral do elenco sem desgastar os mesmos jogadores a cada temporada. É um equilíbrio difícil, especialmente com atletas que avançam na idade, mas é também a única forma de crescer de verdade.

Nesse contexto, entra o papel da diretoria. Escolher Gasperini implica aceitar sua evolução como treinador. Ele não é mais o técnico que apostava exclusivamente em jovens promessas, como nos primeiros anos em Bergamo. Hoje é um profissional que exige certezas, jogadores prontos e respostas imediatas. Quando necessário, eleva o tom. E espera ser ouvido.

O caso dos investimentos ilustra bem isso: se diante de uma contratação especulativa de 20 milhões ele prefere um perfil já consolidado, o pedido deve ser levado a sério. Não como capricho, mas como coerência. Quem entrega as chaves do projeto não pode questionar cada porta que o treinador decide abrir.

Em Bologna, Gasperini reafirmou tudo isso sem meias palavras. Não é uma solicitação — é uma condição. Ele sabe que se tornou o centro do projeto, mesmo evitando rótulos como "plenipotenciário". Mas a essência da mensagem é simples: ou a Roma aposta em Gasperini por inteiro, ou não vale a pena nem começar.

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