Reprodução EsteNewsGabriele Gravina, ex-presidente da FIGC, concedeu entrevista à Rádio Kiss Kiss e aproveitou para abrir os bastidores de um debate que movimentou os corredores do futebol italiano: a proposta de enxugar a Serie A para 18 clubes. Segundo ele, a iniciativa partiu de alguns dos maiores nomes do campeonato. "Recebi o pedido da Juventus, do Milan, da Inter e da Roma para reduzir a Serie A para 18 clubes, mas o presidente De Laurentiis votou contra. Um mês atrás, apresentei à mesa técnica a décima sétima proposta de reforma dos campeonatos: quando se fala de futebol italiano, é preciso ser sempre muito honesto."
Questionado sobre a possibilidade de Gian Piero Gasperini assumir a seleção italiana — nome que circula entre os cotados —, Gravina preferiu se esquivar. "Seria injusto comentar escolhas que podem dizer respeito ao próximo presidente da federação. O tempo é curto e essa situação não estará definida antes de 22 de junho."
Sobre sua própria gestão à frente da FIGC, o dirigente fez um balanço com autocrítica, mas sem deixar de ressaltar as conquistas. "Só quem trabalha pode errar. Certamente cometi erros, mas também foram alcançados resultados importantes. Este não é o momento de listá-los, mas é justo lembrar a batalha pela sobrevivência do futebol durante a COVID, a vitória na Eurocopa, os sucessos das seleções de base e a atribuição da UEFA Euro 2032, que representa uma grande oportunidade para relançar nossa capacidade organizacional — e a Itália não vai desperdiçá-la. Sem unidade de propósitos, porém, não se pode ir além do que foi feito até agora, e talvez eu devesse ter compreendido isso antes."
Gravina também traçou um panorama do futebol italiano e não economizou críticas ao que considera entraves estruturais ao avanço do esporte no país. "Precisamos reconhecer com honestidade que o futebol italiano cresceu e atingiu níveis importantes, mas espero que possa melhorar ainda mais. Após a não classificação para a Copa do Mundo, teria querido apresentar um documento à Câmara dos Deputados antes da minha renúncia: acredito que, para o bem do futebol italiano, é fundamental antepor o interesse comum aos posicionamentos pessoais, inclusive nas relações com a política. Não quero fazer acusações, mas é necessário refletir sobre algumas práticas que acabam por retardar os processos e bloquear o sistema de reformas. Cada um deveria trabalhar por um bem superior, o bem geral, e não pela proteção de interesses individuais. No entanto, o principal obstáculo continua sendo o que chamo de 'direito de veto'. Todos pedem reformas, mas poucos estão dispostos a abrir mão do seu poder de decisão."
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