Reprodução / Sports IllustratedFora do restante da temporada, Paulo Dybala quebrou o silêncio sobre sua situação física e abriu o jogo sobre o futuro. Em entrevista ao jornalista argentino Gastón Edul, o camisa 21 da Roma falou sobre a lesão e sua adaptação ao clube.
— No início foi difícil. Perceber que ficaria muito tempo fora, perdendo jogos importantes pela Roma e pela seleção, foi complicado. Agora estou mais tranquilo — afirmou.
Sobre a chegada à Roma, em 2022, Dybala revelou ter se surpreendido com a recepção:
— Vim da Juventus e não esperava conquistar a torcida da Roma tão rápido. Isso me impressionou muito. Eles são parecidos com os argentinos: apaixonados, calorosos. Até com a Oriana, minha esposa, mostram carinho pelas ruas.
Questionado sobre um possível retorno à Argentina, o atacante deixou a porta aberta:
— Nunca joguei na primeira divisão argentina, então é algo que penso. Paredes vive me pressionando para ir com ele pro Boca. Não sei se vai acontecer, mas sim, é uma possibilidade.
Ele ainda elogiou o jovem Matías Soulé, que marcou no clássico:
— Gol incrível. No aquecimento, vi que ele sempre chutava no primeiro poste. Sugeri tentar o segundo. Claro, o mérito é todo dele. Fez uma grande partida, e isso não é fácil em um clube como a Roma. Ele tem muita qualidade.
Dybala também falou sobre o técnico Claudio Ranieri:
— Sempre digo que ele é mais psicólogo do que treinador.
Além de falar sobre sua lesão e futuro, Dybala concedeu entrevista à Sports Illustrated, na qual detalhou sua trajetória na Copa do Mundo de 2022 e os bastidores de sua chegada à Roma.
Sobre a final com a Argentina no Catar, o atacante revelou a pressão que sentiu ao entrar em campo com uma missão específica:
— O Scaloni me colocou só para bater o pênalti. A pressão era enorme: ou você vira herói ou vilão. Se eu errasse, seria lembrado como o cara que jogou dois minutos e perdeu o pênalti.
Sua preparação para o torneio começou muito antes da estreia:
— Tive uma lesão na coxa e restavam cinco jogos até a Copa. Montei uma equipe com meus médicos e cuidamos de tudo: alimentação, fisioterapia, equipamentos. Dormia com uma máquina e usava quatro diferentes todos os dias.
Mesmo com toda a dedicação, só soube que estaria entre os convocados poucos dias antes do início do Mundial:
— Estávamos nos Emirados Árabes, e o técnico avisou que três jogadores seriam cortados. Quando ele veio na minha direção, achei que era um deles. Mas ele disse: “Fique tranquilo, você está dentro”. Senti o peso de todo o esforço sendo recompensado. E nós estávamos convencidos de que seríamos campeões.
Dybala também falou sobre a vitória contra o México:
— Foi um dos momentos-chave. O gol do Leo e depois o do Enzo nos deram confiança. Já sabíamos que venceríamos a Polônia. O futebol é louco. Em 2018, minha estreia foi contra a Croácia e perdíamos por 2 a 0. Dessa vez, estávamos dominando, e aproveitei muito.
Ao falar sobre a Juventus, onde viveu uma longa trajetória, Dybala foi direto:
— A Juve é um estilo de vida. Lá, empatar é como perder, e isso te faz crescer. Ouvíamos líderes como Buffon, Chiellini e Bonucci. Às vezes, antes do jogo, dava pra sentir no túnel que os adversários já entravam pensando em perder.
O momento da saída da Juventus foi conturbado. E foi aí que surgiu Mourinho.
— Estava em casa, em Turim, pensando em parar tudo por um tempo. Então, meu agente disse que Mourinho queria falar comigo. Ele é único, ganhou tudo. Na primeira conversa, ele não forçou nada, mas na segunda, pediu uma resposta. Falei com minha família e minha esposa. Depois mandei mensagem: “Nos vemos em breve”. E fechamos.
Na reunião com Tiago Pinto, veio a proposta de usar a camisa 10, imortalizada por Totti.
— Fiquei honrado, mas achei que não era o momento. Tinha acabado de chegar e, por respeito, escolhi o número 21.
Sobre a apresentação oficial, Dybala não escondeu a emoção:
— Minhas pernas tremeram. Jogo para 60 mil pessoas, mas ali todos estavam só por mim. Foi lindo, inesquecível. Vi que teria que dar o dobro de mim.
O atacante também comentou a dolorosa derrota na final da Liga Europa, em Budapeste:
— Doeu muito. O grupo merecia. A forma como foi… Machuca. Mas, como disse Matic, o futebol é assim: às vezes se ganha, outras se perde.
Dybala ainda confirmou que recebeu proposta da Arábia Saudita, mas optou por seguir em Roma:
— Não vou mentir, os números fazem pensar. Mas estou feliz aqui. Minha esposa também está, e minha mãe foi a que mais insistiu para eu não sair. O carinho da torcida, do clube e das pessoas na rua… isso pesa muito. Coloquei tudo na balança e decidi ficar.
Por fim, relembrou a cobrança de pênalti na final da Copa e o conselho de Dibu Martínez:
— Sempre bati pênaltis. Estava totalmente focado. Quando Coman errou, lembrei do que o Dibu disse ao Enzo contra a Holanda: se ele defender, o próximo bate no meio, porque o goleiro vai pular. E foi o que fiz. Quando o Paredes marcou, sabíamos que éramos campeões. Abracei o Leo e disse o quanto estava feliz por ele. No começo da minha carreira, eu via todos os jogos do Barça. Todos queriam ser como ele. Ele deu tudo pela Argentina.
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