Reprodução VídeoDe Trigoria a Udine, Gian Piero Gasperini vive um período marcado por resultados positivos em campo, mas também por constantes sinais públicos de insatisfação com a atuação do diretor esportivo Massara. Desde as primeiras declarações após a apresentação oficial até a derrota para a equipe de Runjaic no último dia da janela de inverno, o técnico da Roma acumulou episódios de críticas, explosões e provocações ao longo de seis meses.
Dentro de campo, o trabalho de Gasperini é considerado sólido. A Roma ocupa a quinta colocação da Serie A, apenas quatro pontos atrás do Milan, segundo colocado, e três do Napoli, terceiro. Na Liga Europa, a equipe garantiu vaga nas oitavas de final, objetivo que não era alcançado havia alguns anos. O ponto negativo do período foi a eliminação na Copa da Itália. Ainda assim, o treinador deixou claro em diversas ocasiões que esperava outro tipo de contribuição de Massara no mercado, especialmente no verão passado e também em janeiro.
A primeira manifestação pública ocorreu em 19 de julho de 2025, logo após o apito final do primeiro amistoso da pré-temporada, em Trigoria, contra o Tibre, quando os reforços ainda não haviam chegado. “Estamos um pouco atrasados, já começamos a preparação há 8 dias com muitas deserções. Os perfis dos jogadores que precisam chegar devem ser jovens, ativos e fortes. Estou um pouco preocupado, o campeonato começa em um mês e estamos atrás”, afirmou o treinador.
Naquela mesma noite, El Aynaoui desembarcou em Fiumicino após uma negociação longa e desgastante, que terminou sem sucesso no caso Rios. No dia seguinte, foi a vez de Ferguson. Uma semana depois, Wesley também chegou, mas apenas na metade da preparação. Gasperini, então, passou a demonstrar reiteradamente seu descontentamento com a demora na chegada dos reforços, sobretudo diante da saída de quase dez jogadores em relação à temporada anterior, entre vendas, despedidas e empréstimos encerrados.
O episódio de 19 de julho acabou sendo apenas um prenúncio. Em 17 de agosto, no estádio Stirpe, em Frosinone, após o amistoso por 2 a 2 contra o Neom, poucos dias antes da estreia no campeonato, o treinador voltou a se manifestar: “O time precisa melhorar e estamos presos no mercado há cerca de 20 dias e eu não gosto disso. Deveríamos adicionar algo à equipe sem perder jogadores. Incluindo Koné, que é muito forte e, se ele começasse, seria uma grande perda para nós.”
Um mês depois, surgiram novas provocações durante os dias em que se temia a saída de jogadores franceses rumo ao Inter, situação que acabou sendo bloqueada pela família Friedkin. Na sequência, chegaram Bailey por empréstimo — após Ghilardi no início do mês — e se arrastou a novela envolvendo Sancho, que também se prolongou além do desejado pelo treinador. A frustração aumentou com a não contratação de Fabio Silva e com o fim das negociações, em 30 de agosto, pelo ponta canhoto Tsimikas.
Essa sequência de episódios contribuiu para desgastar ainda mais a relação entre Gasperini e Massara em Trigoria. As dificuldades no setor ofensivo, que o treinador queria reforçar de forma mais incisiva, agravaram o cenário. Gasperini buscava, por exemplo, um ponta-esquerda destro — perfil que nunca chegou — além de mais um atacante. Mesmo com o bom início de temporada, as tensões nunca desapareceram e frequentemente reapareciam em entrevistas e coletivas, sobretudo quando o treinador falava sobre o elevado número de empréstimos e a falta de jogadores pertencentes ao clube para um projeto de longo prazo.
Em janeiro, novas tensões surgiram com outra janela de transferências marcada por longas negociações, principalmente envolvendo Raspadori e Zirkzee. O mercado de verão, segundo essa avaliação, não havia deixado contribuições relevantes em campo, com exceção de Wesley. No retorno da viagem a Bérgamo, em 3 de janeiro, ocorreu uma discussão acalorada entre Gasperini e Massara, reacendendo divergências. Em Lecce, o treinador optou por não falar no pós-jogo para evitar novas controvérsias.
Gasperini havia pedido que ao menos um, ou até dois, reforços chegassem já no dia 6 de janeiro, em Lecce, diante da emergência no ataque causada por lesões. Isso não aconteceu. A primeira contratação só veio no meio do mês: Robinio Vaz, de 18 anos. “Um jovem para o futuro, não para o presente”, definiu o treinador, que deixava claro o desejo por jogadores prontos para buscar a vaga na Liga dos Campeões. Zirkzee e Raspadori, os dois alvos principais, não foram contratados. Jack acabou indo para a Atalanta, decisão que, segundo Ranieri, também se deveu ao fato de o clube de Bérgamo tê-lo contratado de forma definitiva, e não por empréstimo, como Massara teria pretendido, apesar dos 20 milhões mais 5 investidos em Vaz. A isso se somaram mais 7 milhões destinados a Venturino, nascido em 2006, totalizando cerca de 32 milhões.
“Ok, o futuro, mas vamos pensar no presente”, foi a resposta indireta do treinador. “Quero um núcleo de 15-16 jogadores competitivos para inserir jovens”, completou em outras ocasiões, sempre sem citar nominalmente o diretor esportivo, mas mantendo o tom crítico.
“Então, queremos a Liga dos Campeões ou vamos para o Sub-23?”, questionou Gasperini em mais de uma oportunidade. A última foi na noite anterior, em Udine, quando voltou a se defender e acrescentou, com ironia: “Se não formos para a Liga dos Campeões, vamos mudar de técnico…”. Em seguida, reforçou: “Não achei que teríamos todas essas dificuldades para escolher jogadores para papéis que estávamos procurando a partir deste verão.”
O treinador também havia destacado recentemente a necessidade da chegada de Ryan Friedkin a Roma para destravar o mercado e “tomar as rédeas da situação”. Desde a preparação em julho, surgiram dúvidas mais profundas sobre as estratégias de curto prazo do clube. No domingo, assim como já havia feito em Via del Mare, Gasperini evitou a conferência pré-Udinese para não elevar ainda mais o tom.
Agora, o foco está novamente no campo. Ainda assim, será fundamental entender com que clima, intenções e planos de ação Roma e comissão técnica irão trabalhar nos próximos meses em Trigoria para a construção do futuro.
(Via forzaroma)
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