
O futebol imita a vida. É assim desde que o céu é azul e a bola é redonda. As semelhanças estão por toda a parte, tanto dentro de campo, quanto fora dele. Não há como dissociar um do outro. Sem falar dos traços de imprevisibilidade, da capacidade de dar a volta por cima, de fracassar e de recomeçar. O futebol, assim como a vida, é uma roda-gigante.
Pouco mais de uma semana após nossa derrota na final da Champions, de cabeça mais fria, é hora escrever o último texto da temporada. E que temporada. Achamos um zagueiro, um lateral-esquerdo e nos deliciamos com as exibições do nosso tridente ofensivo. Mais que isso: em Anfield, um mero mortal, até então coadjuvante, se transformou em Deus. Mais um Deus egípcio.
Mas, como nem tudo são flores, disputamos mais uma temporada com um crônico problema no gol. Por culpa das lesões, sofremos um pouco pelo lado direito defensivo e até mesmo com o setor central da equipe. As opções no banco de reservas se mostraram inoperantes quando foram necessárias, principalmente, para descansar o trio de ataque.
Em relação aos resultados, um quarto lugar na Premier League nos garantiu na Champions pelo segundo ano consecutivo – agora diretamente na fase de grupos. Na competição europeia, chegamos à decisão novamente após 13 anos, de maneira surpreendente. Nas copas domésticas, fracassamos e caímos logo nas primeiras fases para times muito inferiores ao nosso.
O futebol, assim como a vida, te faz sonhar. E a maior vitória do Liverpool nessa temporada foi justamente isso: fazer a torcida sonhar e acreditar que o clube está muito perto de voltar a brigar por coisas grandes. Com Klopp, em três temporadas, chegamos em três finais, sendo duas delas europeias. Não ganhamos nada, é bem verdade. Porém, nem sempre o mais importante são as taças, mas sim, o caminho percorrido para se chegar até elas. O nosso tem sido emocionante e me deixado bastante orgulhoso.
No futebol, assim como na vida, as derrotas, os fracassos, são mais comuns do que as vitórias. Os dias ruins também existem e não são raros. E que noite ruim tivemos em Kiev. Perdemos nosso melhor jogador num lance – na melhor das hipóteses – fortuito, vimos nosso arqueiro falhar bisonhamente duas vezes, Mané chutar, caprichosamente, uma bola na trave e Bale acertar um lance de raríssima felicidade.
Ganhar títulos é bom, lógico que sempre queremos ver nossa equipe campeã. Mas se você torce para o Liverpool porque gosta apenas de vencer, é melhor trocar de time. O futebol vai muito além disso. Trata-se da identificação que se tem com o clube, com a história. E assim como a vida, a nossa biografia é repleta de altos e baixos. Fases boas e ruins. Algumas muito ruins.
Sou Liverpool por causa dessa linda história de 126 anos, pela identificação que tenho com ela. Por ter visto monstros como Gerrard, Carragher e Fowler atuar com essa camisa e ter acompanhado outros nos abandonar pelo caminho, como Owen, Torres, Suárez e Coutinho. Pelas 18 taças de Campeonato Inglês, pelas cinco orelhudas, pelo desastre de Hillsborough, pela tragédia de Heysel e por ter lido sobre lendas como Shankly, Paisley, Rush e Dalglish. Por ficar arrepiado com a atmosfera criada pela torcida em Anfield Road, pela torcida, pela cidade e por esse vermelho apaixonante. Sou Liverpool porque assim como o futebol, ele imita a vida.
#YNWA
Por André Tobias. / Contatos: facebook.com/andrettobias - Twitter @andrettobias
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