Texto por Colaborador: Rother 01/03/2026 - 04:00

Quando soube do sorteio que colocou Bologna e Roma na mesma chave da Liga Europa, Walter Sabatini não escondeu a reação: uma pausa, um misto de desconforto e paixão que só quem viveu os dois clubes por dentro é capaz de sentir. "Bologna-Roma, para mim, é uma disputa fratricida, uma tragédia esportiva", disse o ex-diretor esportivo dos dois clubes.

Sabatini foi rápido em contextualizar as declarações que fez em outubro, quando chegou a apontar Roma e Bologna como candidatos ao scudetto. "Fique claro: era o que eu sentia naquele momento com base no futebol e no crescimento que ambos estavam demonstrando. Não era uma observação leviana. O Bologna jogava um futebol sublime, eu o achava imbatível de tão bem que fazia as coisas, fiquei muito admirado. E a Roma dava passos de gigante, com o Gasp já fazendo um trabalho excelente e que deveria melhorar a fase ofensiva. De fato, com o Malen...".

O favorito para o duelo
Questionado sobre quem levaria vantagem agora na Liga Europa, Sabatini foi cauteloso mas direto: em outubro diria o Bologna, mas hoje enxerga a Roma com uma leve vantagem. "É uma sensação do momento. De qualquer forma, é uma partida ruim porque alguém vai sair com as penas. E não gosto disso."

Elogios a Italiano e ao Bologna renovado
Sabatini reconhece que o Bologna passou por uma transformação ao longo da temporada — e creditou boa parte disso ao técnico Vincenzo Italiano. "Eu aplaudo o Vincenzo: desde que chegou, mergulhou no sistema Bologna com humildade e competência. Depois, com discernimento, interveio tentando corrigir os dramas dominicais. Italiano foi inteligente desde o início porque encontrou a maneira de gerir uma equipe que havia sido considerada perfeita. Agora fechou as linhas, com inteligência. Sempre disse que a coerência a qualquer custo, de forma exagerada, é um sinal de idiotice... Ele estudou, mudou e correu. Ah, me deixe acrescentar: fez isso em um clube que em todos os seus setores não errou praticamente nada, nem um jogador; e se algum jogador não pareceu certo, foi porque não brilhou."

Malen: "Um algoritmo humano"
Um dos nomes que mais entusiasmou Sabatini foi o do atacante Donyell Malen, contratado pela Roma. A descrição foi quase científica: "Seus movimentos são um algoritmo humano, é uma forma de jogar científica, concreta, cirúrgica. Malen tem movimentos e sensibilidade técnica, foi uma contratação formidável que libertou a Roma da jaula ofensiva da qual não conseguia sair."

A preocupação com Orsolini
Do outro lado, um nome o intriga: Riccardo Orsolini. O ponta do Bologna vive um momento de apagão, e Sabatini não disfarçou a perplexidade. "Riccardo assim me desconcerta. Não sei se regrediu, acho que é uma fase. Se a concorrência de Bernardeschi pode ter influenciado? Não acredito que esteja incomodando ele. Riccardo tem um espírito bom, não é do tipo que estoura de inveja, não conhece sentimentos mesquinhos. Para mim é uma questão física. A seleção como distração? Mas é fundamental que ele pense nisso. Um Orsolini a 100% vale uma imensidão. Na época do Bologna disse que ele valia 70 milhões: havia chegado àquele patamar, não quero que volte atrás."

A impressão digital de Gasperini na Roma
Sabatini também refletiu sobre o quanto Gian Piero Gasperini já moldou a Roma à sua imagem. "A pontualidade tática, a garra, e um vestiário sólido e colaborativo o tornaram ainda mais forte e importante. Vejo na Roma um núcleo duro com Mancini, Pellegrini e Cristante que fazem muito: se ajudam e ajudam os companheiros. E é um ponto forte em comum com o Bologna: quando a dificuldade aparece, o risco é o descolamento, mas grupos sólidos aguentam tudo. Pensem só no trabalho que Lollo De Silvestri faz há anos, ele com os outros que estão no rossoblù há tanto tempo. E no Bologna vi algo que eleva a temperatura de qualquer equipe. Senti uma simbiose fortíssima entre a cidade e o ambiente do clube, poderosa — e é isso pelo que todos os membros de um clube trabalham: a felicidade das pessoas. Me parece que Bologna vive há tempos em uma bolha de felicidade."

Os insubstituíveis: Cristante e Castro
Quando perguntado sobre quem jamais tiraria de campo em Roma e Bologna, Sabatini foi enfático: "Cristante é indispensável. Foi vítima de alguns murmúrios da torcida, mas tem a capacidade de saber fazer tudo. E Castro: assim que o vi jogar, mandei uma mensagem ao Marco [Di Vaio] e disse 'Vocês contrataram uma cascavel'. Golpeia com ferocidade. E joga com uma generosidade de campeão."

O filho romanista a serviço do Bologna
Há ainda um detalhe que torna a situação de Sabatini ainda mais curiosa: seu filho Santiago, assumidamente apaixonado pela Roma, trabalha há cinco meses como observador do Bologna para as categorias de base. Sobre isso, o pai foi sereno: "Vamos ver. Ele é um romanista 'doente', mas vai respeitar o Bologna — nisso tenho zero dúvidas."

Antes de encerrar, Sabatini mandou um recado a Giovanni Sartori e Florent Massara, as cabeças por trás da construção do Bologna atual: "Cheio de admiração, estou totalmente do lado deles. Na verdade, talvez Sartori esteja se aproximando do dom da infalibilidade que eu pensava ainda ter...".

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