Texto por Colaborador: Rother 17/03/2026 - 02:00

O mês de março está sendo um pesadelo para a Roma de Gian Piero Gasperini. Depois de um começo de temporada promissor, que manteve os giallorossi firmes na briga por uma vaga na Champions League, as últimas semanas escancararam fragilidades antigas e problemas que nunca foram resolvidos de verdade. Duas derrotas seguidas fora de casa — para Genoa e Como — fizeram a equipe cair para a sexta posição com 51 pontos, agora igualada pelos próprios lariani e ameaçada pelo retorno da Atalanta à briga.

O mal de viajar
Março começou da pior forma possível: o empate arrancado pela Juventus no fim, que transformou uma vitória em 3 a 3, deixou marcas psicológicas profundas em uma equipe que já acumulava problemas físicos. Uma semana depois, a derrota por 2 a 1 para o Genoa soou o alarme. O empate em Bologna pela ida dos oitavas de final da Europa League até rendeu um resultado positivo, mas a atuação deixou muito a desejar. E ontem veio mais uma queda, também por 2 a 1, no campo do Como — uma derrota sem contestação em mais um confronto direto desperdiçado.

Os números não mentem: apenas 2 vitórias nas 8 partidas disputadas fora do Olímpico em 2026 — ambas em janeiro —, seguidas de 3 empates e 3 derrotas. O "mal de estrada" virou o calcanhar de Aquiles desta Roma. O próprio Gasperini admitiu publicamente as dificuldades defensivas diante de adversários descansados: os giallorossi cedem demais quando os rivais, jogando em casa, elevam a intensidade e apostam nos duelos físicos.

Enfermaria cheia
A lista de desfalques pesa como uma pedra. Dybala está fora até abril por uma cirurgia no joelho, Soulé trata uma pubalgia e só deve voltar ao fim de março, Dovbyk — se tudo correr bem — não reaparece antes de maio, e Ferguson encerrou a temporada prematuramente. O último a se machucar foi Zeki Celik, que sentiu a panturrilha na partida contra o Como e limita ainda mais as opções de Gasperini.

Seis baixas relevantes que forçaram o treinador a improvisar: Cristante como meia-atacante, Pellegrini como ponta direita. Sobrou Malen como único referencial ofensivo confiável — mas o holandês não consegue fazer milagres sozinho quando é mal servido pelos companheiros.

Tensão com o mercado
As divergências entre Gasperini e o diretor esportivo Massara durante a janela de janeiro ficaram evidentes. As contratações de Zaragoza, Vaz e Venturino não foram suficientes para suprir as carências pedidas pelo treinador no meio-campo avançado e no ataque. Gasperini sempre construiu seu sucesso sobre a intensidade e a qualidade do setor ofensivo, com um amplo leque de opções de alto nível. O elenco da Roma, porém, foi montado de forma desequilibrada: jogadores com contrato perto do fim, pouco adaptados ao estilo do técnico e com histórico de lesões. A conta chegou no pior momento possível.

O desgaste de março
Quem acompanha Gasperini sabe que suas equipes costumam passar por um período de baixa antes da primavera, especialmente em março. Esta Roma não é exceção. O cansaço físico é visível, e a equipe patina quando enfrenta adversárias que apostam na intensidade e no confronto direto.

O colapso dos "highlanders" — aqueles jogadores que seguraram o time nos momentos difíceis por meses a fio — está escancarado. Koné apareceu esgotado contra o Genoa, Cristante perdeu a vivacidade, e Mancini começa a mostrar sinais claros de desgaste. Malen não terá substitutos à sua altura até o fim da temporada.

Agora, o objetivo imediato é chegar à pausa do final do mês com a classificação para as quartas de final da Europa League garantida e mais três pontos conquistados diante do Lecce. E, claro, torcer para que a primavera traga de volta as cores giallorosse de verdade.





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