Texto por Colaborador: Rother 04/03/2026 - 02:00

Se alguém pedisse aos torcedores da Roma um rosto para representar o sonho de disputar a Champions League, a resposta seria quase unânime: Niccolò Pisilli. Jovem, comprometido, ambicioso — e romano de verdade. O volante se tornou peça central no esquema de Gian Piero Gasperini e vive o melhor momento de sua carreira, com a seleção italiana também no horizonte. O talento criado em Casal Palocco já foi comparado a Nicolò Barella — comparação feita pelo então técnico da Azzurra, Roberto Mancini, em 2018 — e o próprio Gasperini reforçou a analogia em janeiro deste ano, após a brilhante dobradinha diante do Stuttgart na Europa League.

Um círculo que se fecha
Em poucos meses, a trajetória de Pisilli mudou completamente. No jogo contra a Juventus no último domingo, houve um fechamento simbólico de ciclo: um ano e meio atrás, foi exatamente diante dos bianconeri que ele estreou na Série A, graças a Daniele De Rossi. Desta vez, foi eleito o melhor em campo sob os olhos de Luciano Spalletti — o mesmo que o convocou pela primeira vez para a seleção italiana em outubro de 2024, no jogo contra a Bélgica pela Nations League. Sua atuação foi de alto nível: 95% de precisão nos passes, um assist para o gol de Wesley que abriu o placar, 13 recuperações de bola e cinco cortes defensivos.

O crescimento exponencial em 2026 surpreende até pelo contexto: Pisilli iniciou a temporada como reserva. A virada veio com a convocação para a Copa Africana de Nações de Neil El Aynaoui e a lesão de Manu Koné. Desde então, explodiu — e acumulou elogios. Antes da partida contra o Lecce, em 6 de janeiro, ele nunca havia sido titular no campeonato. Desde então, começou jogando em cinco das nove rodadas, após Gasperini deixar claro que o jogador não estava à venda e que enxerga nele o futuro da posição, nos moldes de Cristante e Koné.

Ambições na reta final da temporada
Com a camisa 61 nas costas, Pisilli quer começar entre os titulares diante do Genoa de seu mestre De Rossi — que, aliás, tentou levá-lo para a Ligúria em janeiro. Na cabeça do jovem meia, só cabem pensamentos grandes: Champions League e seleção italiana. Ele quer ser protagonista nas onze partidas que restam, usando exatamente a combinação que o tornou diferente — técnica apurada, bons chegadas ao ataque e finalizações potentes, numa cobertura de campo ampla que lembram a forma de jogar de Marco Tardelli. No Ferraris, poderá fazer a partida que consolide definitivamente sua transformação. E o seu avanço é também o avanço da Roma nas disputas europeias.

Seu sonho declarado é vencer algo com a camisa da Roma — como fizeram os ídolos da infância, Francesco Totti e o próprio De Rossi. E, claro, um dia ocupar o espaço de Lorenzo Pellegrini, outro italiano que, ao lado de Gianluca Mancini e Bryan Cristante, empurra o clube em direção a novas conquistas. Pisilli, porém, não é mais promessa: é realidade.

A "italianidade" que move a Roma
Criado em Casal Palocco — bairro próximo ao da geração que levou a Roma ao último scudetto, em 2001 —, Pisilli já havia chamado atenção com o gol na estreia pela Europa League diante do Sheriff, com José Mourinho no comando, em dezembro de 2023. Desde então, conquistou o clube que sempre amou. Sua história é quase um roteiro: pai ex-tenista, irmão futebolista e uma namorada, Anastasia Conti, sobrinha do lendário Bruno Conti. Romano, romanista e com alma giallorossa. Ele é a síntese mais pura do que é a Roma hoje.