Texto por Colaborador: Rother 25/03/2026 - 05:00

O encerramento do ciclo de jogos com o Lecce marcou o fim de uma fase nada produtiva para a Roma. No campeonato, o clube caiu até a sexta posição — empatado com a Juventus e a apenas três pontos do Como, que ocupa a quarta colocação. Mas o baque mais pesado foi a eliminação da Liga Europa no dérbi diante do Bologna, resultado que compromete tanto a temporada atual quanto os planos futuros.

Os números expõem com clareza o que aconteceu. As inúmeras ausências no time pesaram, mas há outro dado que precisa chamar a atenção de Gasperini: o rendimento fora de casa. No returno do campeonato, a Roma venceu como visitante apenas uma vez — diante do Torino, em meados de janeiro. Em mais de dois meses, os giallorossi somaram apenas um ponto fora do Olímpico, conquistado em Nápoles, totalizando quatro pontos em cinco partidas (com derrotas para Udinese, Genoa e Como). A média de 0,80 pontos por jogo é a mesma do Cagliari e supera apenas Verona, Lecce, Cremonese, Pisa e Torino. Para efeito de comparação, Como e Juventus — os concorrentes diretos pela vaga na Champions — registraram médias de 2,50 e 1,40, respectivamente, no mesmo período. Ampliando o recorte para todo o ano de 2026, somando a vitória sobre o Lecce e a derrota em Bergamo, o saldo chega a sete pontos em sete partidas.

Em casa, o cenário é bem diferente. No mesmo período, a equipe de Gasperini acumulou 14 pontos em seis jogos — empatada com Inter e Como (média de 2,33) —, ficando apenas dois pontos atrás da Atalanta, líder nessa classificação parcial. É possível analisar partidas específicas, especialmente Genoa e Como, onde erros arbitrais incidiram diretamente no resultado. Mas o ritmo como visitante é objetivamente deficitário.

Nem a Liga Europa muda o diagnóstico: diante de Panathinaikos e Bologna, vieram apenas dois empates por 1 a 1. Uma vitória em sete jogos fora de casa. Um rendimento muito abaixo das dez partidas anteriores como visitante no campeonato, quando a média era de 1,80 pontos. Na Europa, nesse período anterior, foram três vitórias em três jogos. Parece outra temporada.

É quase inevitável a comparação com o fenômeno recorrente da "torta da vovó", expressão cunhada por Mourinho para descrever o colapso periódico da equipe nos momentos decisivos do calendário — como aconteceu no ano passado, antes de Ranieri conseguir estancar a sangria. Na Páscoa, a Roma retoma a competição justamente com uma visita ao Inter, líder mesmo em dificuldades, que vem de três jogos sem vencer e começa a sentir a pressão por um título que parece, pela primeira vez, estar em risco.

É preciso deixar claro: lesões, suspensões e erros de arbitragem tiveram peso enorme nesse cenário. Mas o fato permanece — reverter esse quadro nas últimas quatro partidas fora de casa é uma necessidade urgente. Depois de San Siro, ainda virão Bologna, Parma e Verona. Ainda é possível virar o jogo.





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