Texto por Colaborador: A. Rother 28/06/2026 - 16:30

A 48 a 72 horas do encerramento do prazo do Settlement Agreement firmado com a UEFA, cresce entre a torcida da Roma uma dúvida inquietante: e se o clube não conseguir vender nenhum dos seus principais jogadores até o fim do mês?

O cenário é mais plausível do que parece. Soulé, o principal candidato a deixar a capital, está pouco convicto diante das propostas do futebol árabe, recebeu um sondagem para um surpreendente retorno à Juventus, e os clubes alemães interessados não estão dispostos a pagar o valor pedido pela Roma. Koné quer a Premier League, mas Arsenal e Chelsea mudaram de foco. Resta a proposta do Atlético de Madrid, que o francês ainda não aceitou — e ele vem sendo um dos destaques da Copa do Mundo. Já Ndicka, que agrada à Inter, é considerado intransferível por Gasperini, assim como Svilar, Wesley, Pisilli e Malen.

Apesar do prazo apertado, a família Friedkin transmite serenidade. A posição da proprietária é clara: nenhuma liquidação. O clube pode chegar ao dia 30 sem negociar nenhuma de suas peças mais importantes. Nesse caso, o caminho seria enfrentar a revisão de balanço prevista para novembro. A hipótese de adiar o pacto com a UEFA para 30 de junho de 2027 não é considerada internamente, pois o objetivo é entregar a Gasperini um elenco capaz de brigar em três frentes desde já — algo que só seria possível sem o Settlement Agreement.

Para sustentar essa posição diante da UEFA, os Friedkin apoiam-se em uma série de argumentos financeiros: as plusvalias geradas até agora (cerca de 13 milhões de euros, com as saídas de Salah-Eddine, Mannini e Cherubini ainda por vir), o alívio na folha salarial proporcionado pelas renovações de Dybala e Pellegrini, as receitas com direitos televisivos internacionais (20 milhões), a indenização referente ao caso Bove (cerca de 10 milhões) e a disputa judicial com o Basileia pela revenda de Calafiori (6 milhões).

Na pior das hipóteses, o clube espera se safar com uma multa, algo que já aconteceu no passado — inclusive recentemente, quando uma punição de 6 milhões de euros chegou nos últimos dias. O valor da sanção varia proporcionalmente ao descumprimento das metas estabelecidas. O cenário mais grave seria uma restrição na lista europeia, mas a Roma conta com o histórico de comportamento virtuoso ao longo dos três anos de monitoramento para amenizar qualquer punição. A mensagem que a direção quer passar é simples: o clube não voltará a ser vitrine para os grandes do futebol italiano e europeu, nem que para isso precise conviver com alguma penalidade das instâncias de controle.

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