Texto por Colaborador: A. Rother 18/06/2026 - 04:30

A Série A 2026/27 será marcada por uma virada geracional nos bancos de reservas. Há apenas quatro anos, a média de idade dos técnicos no campeonato italiano era de 51,7 anos. Na próxima temporada, esse número cai para 49,2 — e a chegada de quatro treinadores quarentões é o principal motor dessa mudança: Aquilani no Sassuolo, Abate no Torino, Tedesco no Bologna e, acima de tudo, Amorim no Milan.

O movimento acompanha uma tendência já consolidada na Premier League, que há tempos aposta no potencial acima do currículo consolidado. No caso italiano, o contexto também ajuda a explicar a virada: temporadas cada vez mais marcadas por empates sem gols escancararam a necessidade de novas ideias e sangue novo nos comandos técnicos.

As escolhas de Sassuolo e Bologna seguem uma lógica já conhecida dos dois clubes, embora ambos se despeçam de jovens treinadores — Grosso e Italiano, respectivamente. Já o Milan é o caso que desperta mais atenção. Rubén Amorim, de 41 anos, chega como o terceiro técnico português escolhido pelos rossoneri nos últimos anos, depois das experiências frustradas de Fonseca e Conceição e da passagem de Allegri como solução emergencial.

Em meio a essa onda de renovação, a Roma nada na contramão — e faz isso por escolha. Gian Piero Gasperini será o treinador mais experiente da próxima edição do campeonato, numa aposta que vai além da estabilidade: é uma declaração de intenções. Enquanto rivais reconstruíam suas comissões técnicas com nomes promissores ainda em formação, a Roma optou por uma figura que, ao longo da última década, se tornou uma das mais influentes do futebol italiano.

Em termos de motivação, Gasperini não deve nada aos colegas mais jovens. O treinador saiu de Bergamo convicto de que pode escrever capítulos importantes na capital italiana. Ele mesmo se deu três anos para alcançar algo significativo — e acredita que, com os investimentos certos, a Roma pode brigar pelo topo da tabela.

A chegada de D'Amico como diretor esportivo reúne uma dupla que já funcionou muito bem em Bergamo. Até 30 de junho, D'Amico terá de resolver as pendências impostas pelo Fair Play Financeiro e avançar nas renovações de Dybala, Celik e Pellegrini — pedidos enfáticos do próprio Gasperini. Depois disso, o foco se volta ao mercado de reforços, com o objetivo de montar um elenco à altura das ambições do treinador.

Numa Série A em busca do próximo grande nome, a Roma preferiu apostar em quem ainda tem muito a provar — só que do outro lado da curva.

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