Texto por Colaborador: A. Rother 27/03/2026 - 00:00

Antonio Carlos Zago é um nome que ressoa com muito carinho entre os torcedores da Roma. Ídolo do clube e figura marcante do futebol italiano, o ex-zagueiro brasileiro concedeu uma entrevista à Tele Radio Stereo em que revisitou sua passagem pelo clube e comentou o momento atual da equipe.

Zago teve a oportunidade de ser treinado por dois dos técnicos mais icônicos da história recente da Roma: Zdeněk Zeman e Fabio Capello — personalidades radicalmente opostas dentro e fora de campo. "Zeman de fora parecia não falar com ninguém, mas com a gente fazia piadas. Capello não. Com Zeman não vencemos; taticamente, na parte ofensiva, ele era dos mais fortes. Capello era um sargento, mudou Trigoria. Já havia vencido muito e queria mudar algo na Roma — talvez tenha conseguido, já que vencemos. Com Zeman também éramos um elenco e tanto, mas não vencemos também por situações extracampo. Entre os dois, porém, tenho mais carinho por Zeman, um carinho enorme, porque ele me ensinou muito", declarou.

Ao falar sobre o título do Campeonato Italiano de 2001, Zago se emocionou. "Uma emoção indescritível, um momento único. Roma é uma praça especial; comemoramos por um ano inteiro. Festejávamos, mas também jogávamos muito. No ano seguinte terminamos em segundo lugar. Às vezes é preciso dar uma pausa para aproveitar o que se conquistou. Mas em 2002 também estávamos concentrados e queríamos vencer a qualquer custo — só não foi assim", relembrou.

Sobre Wesley, lateral-direito que tem brilhado sob o comando de Gasperini, Zago foi categórico ao eleger o compatriota como o melhor da posição no Brasil atualmente. "Wesley é o melhor lateral que temos no Brasil; será titular na seleção porque neste momento o considero pronto para disputar a Copa do Mundo. Quando chegou à Itália havia um certo ceticismo. No Brasil ele jogava só pela direita; Gasperini o está fazendo jogar também pela esquerda e ele está se saindo muito bem", avaliou.

O ex-zagueiro aproveitou para elogiar o trabalho do técnico italiano na Roma, ao mesmo tempo em que apontou as falhas defensivas da equipe. "Gasperini, entre os italianos, foi dos mais fortes nos últimos anos. Pegou um clube como a Atalanta, de posição intermediária-baixa na tabela, e a levou para posição intermediária-alta. Ultimamente a Roma defensivamente está cometendo erros impressionantes. Esperamos que possa melhorar e que até o fim possa lutar para voltar à Champions League."

Questionado sobre Gianluca Mancini e Donyell Malen, Zago deu opiniões distintas. Sobre o zagueiro, reconheceu que o momento não é o melhor, mas defendeu seu valor. "É alguém que deixa tudo em campo e isso se vê. Não está passando por um bom momento, mas como todos os outros. Eu o vejo defender bem; é bom de cabeça e às vezes também ajuda no ataque. Para mim, neste momento, se a Roma quer apostar no futuro para vencer algo, ele é um bom zagueiro." Sobre Malen, foi ainda mais enfático: "Malen é bom; tem uma velocidade na hora de girar impressionante. Eu o vi ao vivo, além de na TV: a Roma deve fazer de tudo para mantê-lo aqui. Não saberia como pará-lo; você teria que ler antes o que ele vai fazer."

Ao final, Zago deixou uma mensagem de esperança para os torcedores romanistas, mas com os pés no chão. "Esperamos poder criar uma base para vencer; não é fácil porque os clubes trabalham muito. Se dermos tempo suficiente para Gasperini, ele poderá dar algo a mais à Roma no futuro. Com certeza é preciso ter jogadores que venham à Roma e queiram ficar no clube. Quando eu cheguei, na primeira entrevista, disse que tinha vindo para vencer o Scudetto."





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