Texto por Colaborador: A. Rother 13/10/2026 - 02:00

Nicolò Zaniolo voltou a falar sobre a Roma. O atacante da Udinese tocou no assunto em entrevista concedida ao Calciomercato.com e ao Goal, na qual revisitou diversas fases da carreira, incluindo a passagem pelo clube giallorosso.

Sobre a mudança de função, tanto na Udinese quanto na seleção, Zaniolo lembrou que já atuou em muitas posições. “Joguei muitas posições na minha carreira: comecei como mezzala, como ‘braccetto’ de meio-campo, para depois ir para a direita na Roma. As lesões me tiraram um pouco da explosividade que eu tinha para percorrer toda a faixa e me deslocaram mais para dentro do campo. Acho que o trequartista é a roupa perfeita para mim: eu preciso ver o gol à minha frente, não tê-lo às costas. Posso chutar de fora, dar assistências aos companheiros, são todas características minhas.”

“Uma das mais importantes e de maior aprendizado da minha vida”
Ao ser questionado se mudaria algo nas escolhas feitas ou, de modo geral, na experiência com a camisa giallorossa, o atleta falou com carinho do período em Roma. “A minha passagem pela Roma foi uma das mais importantes e de maior aprendizado da minha vida. Levo comigo grandes alegrias – a vitória na Conference League, a estreia no Bernabéu, o primeiro gol na Serie A com o Sassuolo – mas também decepções. Em Roma deixei muitos amigos, minha esposa é de Roma, meu primeiro filho nasceu lá... estamos até pensando em voltar a morar lá quando minha carreira acabar. Talvez muitas coisas eu não refaria, mas sem aqueles erros e sem lesões tão graves como as do ligamento cruzado, hoje não seria a pessoa e o atleta que sou. Elas me ensinaram a cuidar do físico, da alimentação e da prevenção. Hoje não entro em campo sem ter feito prevenção. Lamento ter encerrado a relação de maneira um pouco brusca com o ambiente, que ainda hoje torço e apoio.”

Gasperini e o sonho do Scudetto
Zaniolo também comentou o momento da Roma, que agora tenta sonhar alto com Gasperini, treinador que ele teve na Atalanta. Perguntado sobre a lembrança que guarda dele e se já dá para falar em Scudetto, foi só elogios. “Gasperini é um treinador incrível. Consegue tirar 120% de cada jogador, faz você voar física e mentalmente. Na Atalanta eu vinha de um problema no quinto metatarso e não podia atender plenamente às suas exigências, mas tive a honra de ser treinado por um visionário como ele. Aonde vai deixa a sua marca, e a Roma este ano está voando. Poderão com certeza dizer a sua pelo Scudetto.”

Mourinho, o “Special”
Zaniolo ainda falou de José Mourinho, treinador com quem teve seu melhor rendimento: é com ele que o atacante fechou a temporada com mais gols e assistências. Questionado sobre o que torna o português realmente “Special”, respondeu: “Mourinho é ‘Special’ em tudo: na gestão, em campo, na visão da partida. Há muitas anedotas que eu poderia contar... Contar uma? Está ligada à final da Conference: eu estava em disputa com outro jogador, toda a comissão técnica dele aconselhava a não me fazer jogar, mas ele. E o Mourinho então respondeu: ‘Não, amanhã o Nicolò tem de jogar porque faz gol’. Outras vezes ele entrava no vestiário e dizia: ‘amanhã começamos forte, os colocamos em dificuldade e começamos ganhando por 1 a 0’, e no dia seguinte começávamos forte e saíamos na frente por 1 a 0. É um mestre. Fora de campo me ajudou muitíssimo. Até hoje nos falamos pelo WhatsApp, às vezes ele escreve, às vezes eu. O fato de um treinador que comandou campeões de nível mundial encontrar tempo espontaneamente para me perguntar como estou faz entender a grandeza do homem antes mesmo do técnico.”

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