Reprodução / TVA derrota por 3 a 0 para a Roma, pela 12ª rodada do Campeonato Italiano, deixou Alberto Aquilani bastante insatisfeito com o desempenho do Sassuolo. Após a partida no Estádio Olímpico, o treinador reconheceu a enorme diferença entre as equipes, criticou a falta de personalidade dos seus jogadores e admitiu que o adversário esteve em outro nível.
Na entrevista coletiva, Aquilani foi questionado sobre a responsabilidade pelos problemas enfrentados pela equipe, se deveriam ser cobrados os jogadores ou a direção do clube. O técnico, porém, destacou que as dificuldades vêm se acumulando há várias partidas e que a atuação diante da Roma evidenciou ainda mais a situação.
“Hoje não houve jogo. Nossos problemas vêm se acumulando há algumas partidas, é uma sucessão de acontecimentos. Hoje estávamos muito apreensivos. O único jogo que tivemos foi hoje, onde vimos uma enorme diferença entre nós e o adversário. Precisamos conversar, mas também precisamos agir, e no momento estamos fazendo muito pouco”, declarou.
O treinador também apontou a necessidade de seus jogadores demonstrarem mais personalidade, especialmente em partidas disputadas em estádios como o Olímpico. Ao comentar as opções do elenco, ressaltou que possui bons atletas e jovens promessas, mas que ainda precisam provar seu valor.
“Tenho alguns bons jogadores e algumas promessas que ainda têm muito a provar. Quando se joga nesses estádios, é preciso ter mais posse de bola, é preciso ter mais personalidade”, avaliou.
Aquilani também reconheceu que o Sassuolo precisa evoluir fisicamente e demonstrou preocupação com as dificuldades apresentadas pela equipe mesmo depois de poucos esforços durante as partidas. Sobre uma possível mudança no sistema de jogo, foi direto ao classificar o momento como crítico e mencionar que existem diversos fatores que estão sendo negligenciados.
Na entrevista à Sky, o comandante voltou a demonstrar sua insatisfação com a atuação diante da Roma e considerou simplista tratar o desempenho como uma simples noite ruim.
“Eu costumava ouvir as pessoas dizerem que as luzes se apagaram. Acho que foi isso que aconteceu. Hoje nunca foi um jogo de verdade, então acho que é até simplista falar assim. Não era o jogo que esperávamos vencer, mas, para ser honesto, eu não esperava que fosse tão apertado”, afirmou.
O treinador reconheceu que sua equipe praticamente não conseguiu produzir com a bola, acumulou erros e demonstrou pouca coragem para enfrentar um adversário da qualidade da Roma.
“Fizemos muito pouco com a bola, cometemos muitos erros, falta personalidade e coragem. Hoje não vi nada disso, mesmo jogando com cinco homens para defender melhor. Nos primeiros 30 minutos, parecia que poderíamos estar um pouco mais organizados, mas depois do 1 a 0, não sobrou nada”, lamentou.
Aquilani também revelou sua frustração com o rendimento individual dos atletas, pois esperava uma resposta melhor diante da qualidade que havia observado no elenco. O técnico assumiu a responsabilidade pela situação e não procurou justificativas para o resultado.
“Isso é decepcionante porque, com base na qualidade que vi de alguns jogadores, esperava mais em muitos aspectos. É a dura realidade. Não posso me esconder atrás de uma desculpa. Sou eu quem toma as decisões e os treina, e agora estou vendo muito pouco”, acrescentou.
Apesar do momento complicado, o treinador garantiu que pretende continuar trabalhando para tirar o Sassuolo da situação delicada. Questionado sobre sua capacidade de conduzir a equipe durante a pausa do campeonato, respondeu que não pretende fugir das dificuldades.
“Porque é o meu trabalho, e também porque existe dignidade na vida, então não há como fugir do problema e das dificuldades, que são muitas. Mas já faz um tempo que estamos conversando, discutindo todos os aspectos, e precisamos manter um certo nível para sermos competitivos”, explicou.
Sobre a confiança da diretoria, Aquilani afirmou que sempre contou com o respaldo do clube, mas reconheceu que os resultados atuais não justificam essa confiança. O treinador também admitiu que precisa reavaliar o próprio trabalho.
“Sempre tive essa confiança, mas é óbvio que sou julgado pelos meus resultados, e hoje esses resultados não me recompensam. Não sei, questiono-me antes de mais nada. Muitas coisas precisam mudar”, concluiu.
Antes do confronto, em entrevista à DAZN, Aquilani já havia demonstrado preocupação com o momento vivido pelo Sassuolo. Apesar da emoção de retornar ao Estádio Olímpico, onde construiu parte de sua trajetória, o técnico ressaltou que a prioridade era encontrar soluções para a equipe.
“É um dia repleto de emoções. Sonhei com este estádio, tive a honra de representar a equipe para a qual torcia. Voltar aqui como treinador me enche de orgulho, porque percorri um caminho que me trouxe até aqui. Mas também temos que encarar a realidade: estamos saindo de um período difícil, precisamos encontrar algo a mais. Estou buscando o que nos falta, porque, caso contrário, a Série A fica complicada”, declarou.
Aquilani também explicou que promoveu alterações táticas para tentar melhorar o desempenho defensivo sem abandonar a identidade de jogo da equipe. Entretanto, ressaltou que o problema não está restrito à formação utilizada, mas também envolve a concentração e a capacidade individual dos atletas.
“A Roma tem o melhor ataque do campeonato, e agora estamos com dificuldades porque estamos sofrendo muitos gols, então precisamos encontrar algumas soluções. Também precisamos de um espírito competitivo diferente, senão você pode jogar com 10 homens na defesa, mas ainda assim sofrerá gols”, afirmou à Sky.
O treinador ainda destacou que a equipe precisa desenvolver uma postura diferente diante das dificuldades, valorizando a coragem e a personalidade em vez de limitar o trabalho aos aspectos táticos.
“Falar sobre isso já é um treino. Olhar nos olhos um do outro é mais importante do que apenas trabalhar a fase defensiva. Não há como comprovar isso; é óbvio que este é um jogo de 'fazer' e não de 'dizer'. É preciso coragem e personalidade, e para obter resultados, é preciso abraçar todos os cenários”, explicou.
Por fim, Aquilani reconheceu que a sequência de resultados negativos comprometeu a confiança construída no início do trabalho. Depois de algumas vitórias importantes, o Sassuolo passou a acumular derrotas e chegou ao confronto com a Roma após quatro tropeços consecutivos.
“Nos primeiros jogos, conquistamos alguns resultados importantes, o que nos deixou confiantes. Depois, perdemos um jogo, depois outro, e nos vimos correndo atrás do prejuízo. Essa sucessão de eventos nos levou a uma situação difícil, com quatro derrotas consecutivas. Iniciamos um projeto baseado em um plano de jogo e na leveza que a equipe precisa para se expressar. Se os resultados não vierem, tudo ficará mais complicado. Precisamos tentar transformar os lances livres em gols a nosso favor; nos últimos jogos, os lances livres foram muito fáceis para os adversários”, finalizou.
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