Texto por Colaborador: A. Rother 08/08/2026 - 02:00

Luca Gotti, ex-treinador do Udinese, concedeu entrevista à Rádio Manà Manà e falou longamente sobre Nahuel Molina, próxima contratação da Roma, jogador que ele comandou durante a passagem pelo clube friulano.

Questionado sobre o quanto a bagagem de experiências do lateral pode pesar em seu retorno à Serie A, Gotti classificou a contratação como bastante relevante e destacou que os valores envolvidos comprovam uma intenção precisa por parte do clube. Segundo ele, o jogador chegou à Itália em 2020 como um completo desconhecido: formado nas categorias de base do Boca Juniors, o clube argentino não confiou totalmente nele e acabou emprestando-o. O Udinese, por sua vez, teria acertado ao apostar em Molina. O ex-treinador relembrou que, na primeira vez em que o viu, teve algumas dúvidas: o jogador era esguio, magro e de estatura baixa, embora já demonstrasse claramente saber jogar. Segundo Gotti, bastou pouco tempo — poucos dias de trabalho — para que ele se impusesse com extrema facilidade. O desempenho de Molina em Udine teria sido tão avassalador que, já no primeiro ano, observadores da Argentina, como Scaloni e Walter Samuel, passaram a frequentar os jogos do time, inicialmente de olho em De Paul e Musso. Acabaram notando Molina e, em março, o convocaram para a seleção. A partir dali, sua carreira teria dado uma guinada: hoje, o lateral é campeão mundial e bicampeão da Copa América, com uma bagagem importante construída em Madri.

Sobre a possibilidade de Molina ser adaptado também ao lado esquerdo, já que a Roma passa a contar com três jogadores para o setor direito (Wesley, Molina e Rensch), Gotti avaliou que o argentino é destro de origem e está habituado a atuar pela direita, de modo que um deslocamento para a esquerda seria apenas uma adaptação pontual. Em sua visão, é mais provável que seja Wesley quem se desloque para o outro lado quando necessário. O ex-treinador afirmou ainda que as características de Molina e sua forma de atuar em campo se encaixam perfeitamente nas exigências do técnico Gasperini. Para quem não o conhece bem, Gotti comparou o estilo do jogador ao de Davide Zappacosta: um perfil elegante, que corre bastante, mais "andante" do que "tornante" — descrevendo-o como um ala ideal para o meio-campo, mais do que um lateral puro.

Questionado se o retorno a um sistema com alas completas, após os anos entre Atlético de Madrid e seleção argentina, favoreceria o jogador — que em Udine chegou a marcar diversos gols e mostrou clara vocação ofensiva —, Gotti foi categórico ao afirmar que sim, e que essa mudança vai beneficiá-lo bastante, já que corresponde às suas reais características. Segundo ele, Molina tem grande velocidade, reação rápida e boa frequência de passadas. O fato de contar com três zagueiros centrais atrás dele, em vez de dois, facilita muito seu trabalho. Na seleção, teria atuado muito bem em conexão com De Paul e Messi, mostrando-se hábil em triangulações e no estilo "toca e corre", exatamente o que pede Gasperini. Para Gotti, entender-se com um jogador de qualidade como Dybala será algo natural para ele.

Sobre o tipo de pessoa que Molina é dentro do vestiário e como lida com o grupo, o ex-treinador o descreveu como um rapaz fantástico, tranquilo e muito alegre. Relembrou que, quando o treinou, o jogador era muito jovem, bastante silencioso e com olhar curioso, mas nunca criou qualquer problema. Gotti destacou que a presença do grupo de argentinos no elenco certamente vai ajudá-lo na adaptação, já que os argentinos costumam se unir bastante em torno do mate, sem, no entanto, se isolarem do restante do time.

Ao ser questionado sobre um possível ponto fraco ou aspecto a ser trabalhado, Gotti apontou que Molina, por vezes, pode parecer um pouco leve ou superficial dentro de sua própria área, faltando-lhe ainda um pouco de atenção nas leituras preventivas dentro dos últimos dezesseis metros. Ainda assim, o ex-treinador ressaltou que o jogador já possui as qualidades mais difíceis de ensinar, e que a atenção e o cuidado na fase defensiva são aspectos que, com o trabalho diário e a experiência, um treinador como Gasperini conseguirá aperfeiçoar com facilidade.

Categorias

Ver todas categorias

Como você avalia a 1° temporada de Gasperini?

Ótimo

Votar

Bom

Votar

Razoável

Votar

Ruim

Votar

121 pessoas já votaram