Texto por Colaborador: A. Rother 22/05/2026 - 02:00

Lenda da Roma e um dos maiores ídolos da história do clube, Giuseppe Giannini concedeu uma entrevista à Gazzetta Regionale e falou sobre sua trajetória com a camisa giallorosso, o apelido que carrega até hoje e uma história pouco conhecida sobre os primeiros encontros com Francesco Totti.

Ao ser perguntado sobre seu lugar na história do clube, o Príncipe foi cauteloso. Afirmou não saber se está entre as três maiores bandeiras da Roma e reconheceu que seria um erro reduzir a história do clube a dois ou três nomes. Para ele, a grandeza da capital italiana vai além de resultados: "Roma é paixão, carinho e responsabilidade, porque você joga na capital. E tem o passado, que não deve ser esquecido", disse, em italiano.

Sobre o famoso apelido, Giannini revelou que foi Odoacre Chierico quem o batizou de "Príncipe". A referência vinha por contraste com Falcão, chamado de "Divino". Giannini se descrevia como elegante, alguém que raramente precisava olhar para a bola — bastava senti-la com os pés. Jovem entre gigantes, sabia se fazer apreciar.

Ser romano, romanista e capitão da Roma, segundo ele, significa viver permanentemente sob os holofotes — para o bem e para o mal. "Tudo o que você faz é pesado", disse, lembrando que isso valia para todos: Di Bartolomei, Conti, De Rossi, Totti. Mas Giannini garante que nunca sentiu esse peso como um fardo.

Há ainda um episódio curioso do tempo em que foi treinador do Hellas Verona. Pouca gente sabe, contou ele, que os torcedores do Hellas são gêmeos com os da Lazio — e que logo no primeiro dia, ao chegar ao hotel, encontrou um carro com alto-falantes tocando o hino do rival romano. O martelo seguiu durante todo o período, mas, longe de incomodar, acabava o animando: "Me empolgava o fato de sempre haver de 15 a 20 crianças lá fazendo isso.", lembrou.

A história mais tocante, porém, foi a do início da amizade com Totti. Giannini contou que nem sabia quem era o jovem quando foi apresentado a ele antes de uma viagem da equipe. Como era o único jogador com quarto individual, o técnico Fabbri pediu que o garoto dividisse o aposento com ele. Totti ficou em silêncio, apenas olhando. Com o tempo, os dois foram se aproximando, e Giannini acabou sendo convidado para o aniversário de 18 anos de Totti em uma casa noturna na região da Pirâmide, em Roma. Voltando de Malta com a seleção, foi direto do aeroporto para a festa, ainda com o uniforme da Azzurra. "Ele é muito simpático, nós rimos até morrer", recordou.

Ao final da entrevista, Giannini respondeu a uma série de perguntas rápidas. Disse que a braçadeira de capitão na Roma tem peso máximo — dez em dez. Entre Eriksson e Liedholm, ficou com Liedholm. Escolheu Pruzzo na comparação com Graziani, e não abriu mão de nenhum dos dois quando a pergunta envolveu Di Bartolomei e Totti, ou Falcão e Bruno Conti. Sobre um eventual retorno à Roma, foi direto: não volta. E deixou De Rossi no posto de Bruno Conti, sem hesitar.