Texto por Colaborador: Rother 18/02/2026 - 01:00

Um novo capítulo na história do Estádio Flaminio foi aberto nesta semana. A Lazio apresentou, em Formello, um ambicioso projeto de requalificação do icônico impianto construído pelo engenheiro Pierluigi Nervi em 1959, às vésperas das Olimpíadas de Roma de 1960. Se concretizado, o plano transformará o estádio no campo de propriedade do clube biancoceleste — por meio de contrato de concessão de superfície — com capacidade para 50 mil espectadores e com previsão de ficar pronto até 2032.

O presidente Claudio Lotito conduziu a apresentação e definiu a iniciativa como algo que "não diz respeito apenas à Lazio, mas à cidade inteira de Roma, à sua história urbanística e à sua capacidade de olhar para o futuro". Ao seu lado estava o arquiteto Pierluigi Nervi Neto, homônimo do avô que projetou o Flaminio quase 70 anos atrás. "A reestruturação", explicou Nervi Neto, "se baseia exclusivamente no método de trabalho adotado pelo meu avô, retomando alguns esboços que ele fez para a ampliação do Estádio Franchi de Florença."

Os detalhes técnicos foram apresentados pelo arquiteto Marco Casamonti, do Estúdio Archea — responsável pelo novo estádio nacional de Tirana, pelo Viola Park e pelo restyling do Blu Energy de Udine. "O coração do projeto", explicou Casamonti, "está na construção de um segundo estádio que se sobrepõe ao primeiro, já existente, de forma a respeitar os vínculos arquitetônicos da obra de Nervi — vínculos sobre os quais a Superintendência de Bens Culturais terá de se pronunciar. O projeto prevê a criação de um segundo anel suspenso que cobre sem tocar a estrutura original. Assim, não tocamos na obra de Nervi, mas sim a protegemos. Por ser construída inteiramente em concreto armado, ela está sujeita ao desgaste provocado pelos fatores atmosféricos, que já a deterioraram bastante. Por isso nosso projeto também prevê a restauração das partes danificadas. Com a nova cobertura, o 'antigo' Flaminio estará protegido por muitos anos mais. Do contrário, ele enfrentaria uma deterioração rápida e talvez definitiva." Em termos de capacidade, Casamonti indicou que "a previsão é de cerca de 50 mil lugares: 20 mil na estrutura original e outros 30 mil no novo anel superior."

A Lazio espera concluir toda a tramitação burocrática — ou seja, obter todas as autorizações necessárias — até o primeiro semestre de 2027, para então iniciar as obras e encerrá-las até o primeiro semestre de 2031. O objetivo declarado é candidatar o novo estádio como sede da Eurocopa 2032, que será sediada na Itália e na Turquia. Na prática, porém, os prazos são tão apertados que essa possibilidade beira o impossível: a Federação Italiana de Futebol precisará entregar à UEFA a lista dos estádios candidatos ainda neste verão europeu. E mesmo sem o Euro no horizonte, cumprir o cronograma proposto pela Lazio não será tarefa simples.

Os obstáculos são vários. O primeiro — e provavelmente o mais alto — é a autorização da Superintendência de Bens Culturais. Os projetistas afirmam ter respeitado os vínculos arquitetônicos, mas há pontos em aberto: não está claro se a cobertura atual da tribuna central precisará ser demolida para dar lugar ao novo anel, e há ainda o desafio das escavações arqueológicas necessárias para instalar os pilares de sustentação — já que o subsolo da região do Flaminio é rico em vestígios das épocas romana e etrusca. A questão da mobilidade e dos estacionamentos também é sensível, dado que o estádio fica no coração da cidade. "Estudamos", explicou Casamonti, "um sistema que prevê o aproveitamento máximo do transporte público. Os estacionamentos serão construídos longe do estádio, e de lá o acesso se dará por ônibus especiais." Há ainda a perspectiva de uma futura estação de metrô na Piazza Apollodoro — mas os prazos para isso são incertos.

Para acalmar os moradores do bairro, Lotito detalhou o escopo mais amplo do projeto: "O plano prevê um investimento total de 480 milhões de euros, dos quais cerca de 150 milhões destinados à requalificação de toda a área, com aumento de áreas verdes e criação de novas zonas pedonais. O bairro vai sair melhor do que está agora."

Lotito também aproveitou a ocasião para desmentir rumores sobre uma possível venda do clube: "São completamente infundados. A Lazio não está à venda e não há interesse de nenhum grupo do Qatar. Me dizem 'libera a Lazio', e eu respondo que a Lazio é livre. Ou seja: é um clube autossuficiente, sem dívidas, que pode planejar seu futuro. Quando assumi o clube, havia 550 milhões de euros em dívidas, que foram extintas graças aos sacrifícios feitos ao longo desses anos, sem pedir dinheiro aos sócios, como teria acontecido com aumentos de capital. No próximo ano, pagaremos ao fisco a última parcela das dívidas das gestões anteriores. E teremos 30 milhões a mais para investir. Esses são os fatos. O resto são conversas. Com este projeto do estádio, queremos tornar a Lazio imortal."

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