Texto por Colaborador: Redação 04/02/2026 - 11:15

O fechamento da janela de inverno não encerrou as tensões internas na Roma. Pelo contrário, deixou ainda mais visível o distanciamento entre o técnico Gian Piero Gasperini e a direção do clube, representada no dia a dia por Ricky Massara. A leitura é do Il Messaggero, que reconstrói os bastidores das decisões de mercado e ajuda a explicar sinais recentes dentro e fora de campo.

O principal ponto de atrito não está exatamente nas contratações realizadas, mas naquilo que não foi feito em relação ao plano inicial traçado ainda antes do Natal. Na reunião técnica daquele período, a ideia era clara: reforçar imediatamente o elenco com jogadores prontos, como Zirkzee e Raspadori, além de pelo menos um nome para a defesa, entre Dragusin e Fortini. O objetivo era elevar rapidamente o nível competitivo da equipe, aproveitando o que Gasperini via como uma anomalia do campeonato: uma briga pela vaga na Champions League mais aberta do que o previsto.

A realidade, no entanto, seguiu outro caminho. Os investimentos acabaram direcionados para Vaz e Venturino, operações aceitas pelo treinador, mas com diferenças evidentes. Enquanto a francesa representa um custo total elevado e já se encaixa como opção de rotação, o jogador nascido em 2006 é visto como uma aposta de longo prazo. Para Gasperini, o problema central permanece o mesmo: os recursos poderiam ter sido usados em um reforço capaz de gerar impacto imediato.

Não é segredo que os alvos preferidos do treinador eram outros. Sommerville e Sauer apareciam no topo da lista, além de nomes mais ambiciosos como Tel e Nkunku, que virou prioridade nos últimos dias da janela. Perfis diferentes, mas unidos pela mesma lógica defendida por Gasperini: encurtar o tempo do projeto esportivo.

É nesse ponto que surge o curto-circuito interno. Não apenas — ou necessariamente — com Massara, que atua dentro dos limites financeiros impostos pela propriedade e muitas vezes funciona como elo entre demandas técnicas e sustentabilidade econômica. A divergência é mais profunda e passa pela visão de clube. Gasperini quer competir agora; a Roma, por sua vez, prioriza um planejamento mais gradual, apostando na valorização de jovens e na capacidade do treinador de desenvolvê-los.

A situação levanta uma questão central nos bastidores: o que foi prometido a Gasperini no momento de sua contratação? Se a ideia era acelerar um plano trienal, o mercado de inverno apontou em outra direção. Se, por outro lado, a linha sempre foi de construção progressiva, a frustração do treinador se torna compreensível, ainda que estrutural.

Enquanto isso, o ambiente romano se divide entre defensores da estratégia do clube e apoiadores do técnico. No meio desse cenário, surge a ausência de uma figura conciliadora. Claudio Ranieri, que poderia exercer esse papel de equilíbrio, aparece hoje mais recluso do que em outros momentos recentes. Sem uma voz capaz de sintetizar as posições, o risco é que as fissuras internas se tornem ainda mais profundas.

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