Texto por Colaborador: A. Rother 15/09/2026 - 18:50

"Quem não conhece o passado está condenado a repeti-lo." A frase parece sob medida para a Roma às vésperas do confronto deste sábado. O time comandado por Gian Piero Gasperini chega embalado por um início de campeonato que reacendeu, na capital italiana, um entusiasmo que havia muito tempo estava adormecido: quatro jogos, quatro vitórias e doze pontos conquistados. Uma largada que os giallorossi não registravam há doze anos, desde a temporada 2014/15 — um campeonato que guarda diversas semelhanças com o atual.

A primeira delas está no comando técnico. Naquela época, o banco de reservas romanista era ocupado por Rudi Garcia, em sua segunda temporada na capital depois de ter recolocado a Roma na Champions League com o vice-campeonato da temporada anterior. Hoje, é Gasperini quem vive sua segunda passagem à frente do time, também responsável por devolver ao clube o palco da Champions, ainda que por meio de um terceiro lugar. Os dois técnicos, aliás, começaram sua segunda temporada à frente da Roma da mesma forma: em casa, contra a Fiorentina, com vitória. Em 2014, o placar foi 2 a 0, com gols de Nainggolan e Gervinho. Doze anos depois, o resultado foi ainda mais contundente: 4 a 0, com hat-trick de Malen e gol de Pisilli.

A partir daquele jogo, teve início uma sequência impressionante. A Roma de Garcia venceu as cinco primeiras rodadas do campeonato, marcando nove gols e sofrendo apenas um. A de Gasperini já soma doze gols marcados e apenas um sofrido após quatro rodadas. Em comum, também, uma condição física exuberante, que tanto naquela época quanto hoje permite à equipe jogar em ritmo elevadíssimo.

E há o confronto direto. Em 5 de outubro de 2014, Juventus e Roma chegaram ao Allianz Stadium com aproveitamento perfeito, ambas com cinco vitórias em cinco rodadas. Neste sábado, algo muito parecido vai acontecer: Roma e Inter se enfrentam no Estádio Olímpico depois de somarem, cada uma, doze pontos em doze possíveis. Naquele momento, a Juventus era a dona absoluta da Serie A. Hoje, quem ocupa esse posto é a Inter comandada pelo ex-jogador Christian Chivu, equipe que o próprio Gasperini definiu como "a referência do nosso campeonato".

O duelo direto do início de temporada
A Roma de Garcia chegava a Turim embalada, exatamente como a de Gasperini chega agora para enfrentar a Inter. O entusiasmo estava nas alturas, a equipe praticava um futebol moderno e havia encontrado diferentes protagonistas ofensivos. Hoje, porém, existe uma diferença relevante: Gasperini conta com um centroavante como Malen, já artilheiro do time na temporada com seis gols, enquanto Garcia dividia a responsabilidade ofensiva entre Mattia Destro e Francesco Totti, que terminaria como o melhor marcador daquele campeonato, com dez gols.

Aquele confronto entre Juventus e Roma, porém, deixou marcas. Quem contou os detalhes foi Radja Nainggolan: "Aquela derrota nos tirou energia, além de causar um baque psicológico. Naquela noite entendemos que jamais poderíamos vencer o Scudetto." E é justamente esse aspecto que Gasperini e a Roma precisam ter em mente. Neste sábado, não se decide um campeonato, mas surgirá o primeiro grande teste da equipe diante de um adversário de nível superior.

A Roma de 2014 disputou aquele confronto direto fora de casa e deixou o Allianz Stadium derrotada por 3 a 2, em uma partida que também ficou marcada pelas polêmicas envolvendo a arbitragem de Gianluca Rocchi. Desta vez, o cenário muda: será a Inter quem visitará o Olímpico, em um ambiente que promete ser fervoroso.

Gasperini está ansioso pelo jogo. Ele quer entender o quanto sua Roma já se aproximou do nível dos nerazzurri: "No ano passado havia uma diferença: na partida de volta, levamos uma goleada feia, mas foi dali que nasceu a Roma de verdade. Houve uma evolução, não apenas nos resultados, mas também nas atitudes, nos comportamentos e na mentalidade. É também uma oportunidade para nos medirmos e fazermos melhor do que nos últimos jogos."

Contas em aberto com a Inter, Gasperini tem várias. Nos 36 confrontos diretos ao longo da carreira, conquistou apenas cinco vitórias, contra nove empates e 22 derrotas. Mais impressionante ainda é a sequência recente: são 17 jogos sem vencer os nerazzurri, sendo que o último triunfo remonta a 11 de novembro de 2018, quando sua Atalanta goleou a Inter por 4 a 1. Nem mesmo o retrospecto da Roma diante da Inter no Olímpico ajuda: a última vitória em casa contra o rival aconteceu em 2 de outubro de 2016. O passado não sorri para os giallorossi — e é justamente por isso que vale a pena recordá-lo, na esperança de que não se repita.

Categorias

Ver todas categorias

Como você avalia a 1° temporada de Gasperini?

Ótimo

Votar

Bom

Votar

Razoável

Votar

Ruim

Votar

185 pessoas já votaram