Texto por Colaborador: A. Rother 15/10/2026 - 03:00

A Roma tinha tudo para entrar para a história no Olímpico, mas acabou saindo de campo de mãos vazias. Diante do Real Madrid, o time giallorosso foi superior por quase toda a partida e, mesmo assim, perdeu por 4 a 3 de virada, sem somar nenhum ponto na Champions. Até os 70 minutos, a equipe de Gian Piero Gasperini vencia por dois gols de diferença. Três bolas paradas, três escanteios com características praticamente idênticas, bastaram para virar o jogo e deixar os jogadores em estado de choque.

Um dos nomes da noite foi Malen, que brilhou no Olímpico contra um adversário que sempre impõe respeito na Champions. Só que a frieza do camisa 14 não foi suficiente. Depois do apito final, o atacante holandês não escondeu a frustração: "Estou muito decepcionado. Esperávamos viver uma grande noite, mas não conseguimos levar o resultado para casa. No vestiário, estamos todos muito abalados emocionalmente. Queríamos dar aos nossos torcedores a noite que eles mereciam e pela qual tínhamos trabalhado tão duro".

Mesmo com a derrota, "Bobby", como é conhecido, acredita no potencial do grupo: "O time tem sintonia, é uma grande equipe, mas houve erros". E é justamente sobre as falhas de concentração que ele defende uma conversa franca: "Precisamos falar sobre isso". O desafio de Gasperini agora passa pela parte mental, já que, no último quarto de hora, a Roma simplesmente desapareceu de campo.

Matias Soulé, em entrevista à Prime Video, também ficou sem palavras: "Sinceramente, não tenho palavras. O jogo estava nas nossas mãos, até os 70 minutos estávamos dois gols na frente. Três escanteios nos fizeram perder a partida. Precisamos ficar atentos durante os 90 minutos. Vamos pensar no próximo". Questionado se o problema era mental, ele respondeu: "Acho que sim, mas sofrer três gols praticamente iguais em escanteios é algo que não pode acontecer. Na verdade, a gente morreu".

Soulé também falou sobre o peso da derrota para o que vem pela frente: "Temos que tirar isso da cabeça logo. Estamos decepcionados, mas não podemos baixar a guarda, porque fizemos uma grande partida. Não podemos cair agora, estávamos na frente e perto de vencer". Para ele, a dor vem da maneira como tudo aconteceu: "Não sei o que dizer, dói depois de um jogo desses. Precisamos pensar no próximo e aproveitar as coisas boas que fizemos, treinando de novo aquilo que deu errado".

Na zona mista, o goleiro Pierluigi Gollini manteve o mesmo tom. Para ele, foram oitenta minutos de uma Roma enorme, antes de tudo desmoronar: "É difícil explicar, dói muito. Fica a amargura desta noite, de uma partida jogada de maneira soberba. Teria sido uma noite lindíssima, para nós e para os nossos torcedores. Falhamos em um detalhe, nas bolas paradas. Ainda não revi os gols, sinceramente, mas todos poderíamos ter feito mais. Lamentamos, três bolas paradas foram suficientes para estragar e jogar fora uma atuação. Fica a amargura deste jogo, apesar de 80 a 90% da partida ter sido positiva. É uma pena. Vamos trabalhar e analisar esse detalhe para que não volte a acontecer no futuro".

O goleiro contou ainda o que Gasperini disse ao grupo no vestiário: "Ele nos disse simplesmente para cada um de nós pensar no que e em como poderíamos ter feito melhor. Foi uma pena jogar fora uma noite assim. Precisamos levar conosco o que foi feito de bom e não deixar que as coisas negativas nos levem, já que daqui a pouco tem jogo. Temos que ser competentes para guardar as coisas negativas e recomeçar".

Sobre a atuação do time e a sua própria, Gollini foi direto: "Uma grande Roma, sim. Tive algumas intervenções a fazer, mas é normal que elas apareçam contra equipes desse nível. Eu me senti muito bem em campo, vi uma grande Roma, fisicamente e taticamente. Infelizmente, falhamos nesse fundamento do futebol, as bolas paradas, e é uma pena".

Perguntado se o medo do terceiro gol do Real Madrid acabou paralisando a equipe, o goleiro admitiu que o fator psicológico pesa: "Não sei, no futebol há muitos aspectos psicológicos que precisam ser considerados. Levar um gol daquele jeito e depois outro igual, é normal que apareçam os medos, talvez um pensamento negativo. São momentos e coisas que acontecem em vários instantes e contextos da partida. Depois de levar dois gols iguais, no terceiro você fica um pouco mais preocupado. Faz parte do futebol, como tantas outras coisas. Sabemos o que temos que fazer, analisar esses gols e recomeçar do que fizemos de grandioso hoje à noite. Jogar isso fora seria uma pena. O que foi bem feito tem que nos dar moral, o que erramos tem que nos dar raiva para chegarmos mais motivados para a próxima".

Gollini também falou sobre o momento pessoal que vive: "Procuro, todos os dias, encarar cada treino e cada partida como um momento para mostrar as minhas qualidades. Penso em treinar e em jogar uma sequência de jogos. Depois do Como, pensei no Real Madrid, a partir de amanhã penso no Genoa. Levo um dia de cada vez, tentando me preparar da melhor forma e dar a minha contribuição para ajudar este time a ficar lá em cima e a fazer boas atuações".

Em meio à frustração, Malen também teve um momento mais leve. Antes da partida, a Prime Video exibiu depoimentos de pessoas próximas ao atacante e, no pós-jogo, ele voltou a falar da família. A repórter mostrou cartões-postais ao jogador, e o holandês respondeu falando da mãe e da avó: "Elas ficam muito felizes de me ver em palcos como esses, têm orgulho de mim".

Em Roma, sob o comando do técnico nascido em Grugliasco, "Bobby" encontrou a melhor versão de si mesmo. Mas a notícia não é boa para o próximo compromisso: Gasperini não poderá contar com ele diante do Genoa e, muito provavelmente, também ficará sem Koné.

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