Texto por Colaborador: A. Rother 09/09/2026 - 04:00

Para Gasperini, a melhor defesa sempre foi o ataque. Não se trata apenas de um jargão repetido, mas de uma filosofia concreta, aplicada com convicção pelo treinador e transmitida a cada elenco por onde passou. No último sábado, essa ideia ganhou mais uma demonstração prática: com dois defensores mais novos — e bem menos experientes — no lugar de peças fundamentais como Ndicka e Mancini, foi justamente ali que a Roma mudou de patamar. Depois de um ano em que a equipe deixou entrever a solidez defensiva herdada das eras de Mourinho e Ranieri, nestas três primeiras rodadas os giallorossi mostraram, de fato, o que significa jogar sob o comando de Gasperini: domínio de campo, força mental e uma verdadeira máquina de criar chances e finalizações.

Pela primeira vez em muitos anos, a Roma voltou ao topo das estatísticas ofensivas do Campeonato Italiano, ao lado das duas equipes que vêm mostrando, até aqui, o melhor futebol da temporada — não por acaso, ambas mantidas sob o comando dos mesmos técnicos do ano passado: Inter e Como. Além dos números mais evidentes de gols e assistências, que já dizem muito por si só, o time de Gasperini divide com a Inter a posse de bola mais alta do campeonato, com 63,9% de média, próxima aos 66% dos nerazzurri. Mas está longe de ser uma posse horizontal ou estéril, algo que para Gasperini seria quase uma heresia: a Roma é, até o momento, a equipe que mais finalizou no alvo do adversário na competição, com 26 finalizações certas — o Como aparece em segundo, com 21 — além de ser a equipe com mais grandes chances criadas, 17 no total, à frente da Inter, segunda colocada, com 13.

Esse tipo de estatística não chega a surpreender quando se trata de um time comandado por Gasperini, mas representa uma novidade e tanto para a própria Roma, que há apenas dois anos ocupava a quinta posição da Serie A em grandes chances criadas e mal aparecia entre as nove primeiras em finalizações no alvo.

Nestas três primeiras partidas, a Roma também esteve entre as melhores equipes da Serie A em dribles certos, somando 29 — um número e tanto, especialmente se lembrarmos que, na temporada passada, o time havia terminado na penúltima posição entre os 20 clubes da competição nesse quesito. Chamar isso apenas de "efeito Gasperini" talvez seja até pouco: trata-se de uma metamorfose completa em relação aos últimos cinco anos de história do clube. Ideias claras, personalidade e uma dose saudável de arrogância — sempre dentro dos limites do futebol — fazem parte do projeto que Gasperini já trazia definido desde que pisou em Trigoria, em 6 de junho de 2025. Uma revolução construída aos poucos, impulsionada pelos jovens do elenco e sustentada pela experiência de quem já estava no clube e de quem chegou depois.

Mesmo diante das limitações no mercado da bola, que impediram Gasperini de contar com o jogador ofensivo de velocidade e drible que tanto desejava — com o nome de Greenwood à frente de todos os cotados —, esta Roma já parece estar a anos-luz da equipe deixada por Ranieri, seja em compactação tática, proposta de jogo, modernidade ou capacidade de encarar qualquer adversário de igual para igual. Agora, porém, chegam os verdadeiros testes: primeiro o Fenerbahçe, em Istambul, depois o Torino, antes dos duelos diante de Inter, Como e do "superteam" do Real Madrid. Estes três últimos compromissos, principalmente, já estão marcados na agenda do clube há bastante tempo como pontos decisivos da temporada.

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